terça-feira, 8 de maio de 2012

David Hockney e Lucien Freud


David Hockney e Lucien Freud. Dois dos pintores contemporâneos de que mais gosto. O primeiro ainda felizmente vivo, o segundo (neto do célebre psicólogo) falecido o ano passado.
Eram amigos, o que é raro na actividade artística. Entre muitas outras coisas havia uma que os aproximava e outra que os afastava. Ambos gostavam de retratar as pessoas e os seus contextos de vida. Hockney (homossexual assumido) pintava predominantemente o universo masculino; Freud (amante inveterado de mulheres – pai de cerca de 40 filhos) pintava essencialmente o nu feminino.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

José Luís Peixoto


Gosto muito de ler o José Luís Peixoto: cinzela cada palavra como se de uma escultura se tratasse – mas de uma forma aparentemente fácil, tal como fazem aqueles que escrevem verdadeiramente bem.
(Fotografia de Helena Canhoto)

E a campainha ali tão perto...


Trriiimmmm! Fujam que o mundo está todo contra nós… O mundo e o Sr. Augusto, o dono da casa… Se ao menos a Teresa aparecesse à janela!
(Fotografia de Robert Doisneau )

domingo, 29 de abril de 2012

Garota de Ipanema


Difícil é escrever fácil. É dizer as coisas com a leveza de um dia de sol. Sem ponta de vento a fazer-nos cerrar o olhar. Dizendo bonito sem pensar em tal. Gostando das palavras e do que elas representam. Usando da naturalidade com que damos a mão à pessoa que sempre quisemos. Fazendo da palavra amor e corpo numa tarde de Verão.

Vinicius de Moraes é exemplo disto mesmo ao escrever o poema que mais tarde se tornou célebre em todo o mundo, inspirado no andar leve e divino de Helô Pinheiro, a mulher linda que fazia virar a cabeça de todos em sua direcção sempre que passava perto das mesas do Bar do Veloso, hoje justamente chamado Garota de Ipanema.

O poema é este:

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

Vinicius de Moraes

Texto de Francisco Sérgio de Barros e Barros

(A fotografia retrata a Helô Pinheiro com 16 anos, um ou dois anos antes de ser descoberta por Vinicius de Moraes e por Tom Jobim. Desconheço o nome do autor da fotografia.)

Celmira Macedo


Eu vou arriscar e dizer uma coisa que não deveria dizer em público. Se não gostares, perdoa-me, por favor. Uma vez estavas tu entre um grupo de pessoas que iam ser entrevistadas por uma televisão. Quando chegou a tua vez levantaste-te, tiraste o casaco que trazias, mostraste ao mundo todo a blusa branca (ligeiramente transparente) que tinha sido feita para ser tua e só tua, e falaste... foi aí que os operadores de câmara ficaram petrificados, os outros convidados emudeceram, um senhor em Singapura teve uma síncope mortal, outro em Alfândega desmaiou e eu próprio não fiquei muito bem...

Homens e mulheres


Tonta. As mulheres de que os homens mais gostam são aquelas que dizem que eles são bons. Só isso.

Foto: PARIS - 1992
© Martin Parr -
Magnum Photos

Whitney Houston


Não era feliz. Despediu-se de nós com 48 anos provando que a beleza só não basta. Faltou-lhe um guarda-costas capaz de a proteger dos golpes baixos que a vida lhe pregou. E, já agora, que não a abandonasse depois de o filme acabar.

Discoteca Pôr de Sol


Hoje à noite há festa. O Chico e a Zé estão prontos. Os músicos da banda Estrela d’Alva também. A tia Conceição mais a danada da sobrinha de olhos bonitos puseram-se agora a caminho. A cerveja e o sumol não vão faltar. Nem o rafeiro quitoso do Jolly. Nem eu.

Adeus


Vocês são o elo mais fraco. Adeus.

O elo mais forte


Tu ficas.

Gostar


O amor é... sem fazermos algo por isso – perante a entrada na sala de alguém com quem não contávamos – sorrir com o corpo inteiro (principalmente através do olhar), ver o dia cinzento transformar-se num dia radioso, esquecer a vontade de sucesso a todo o custo e do carro de marca desejados pouco antes, agradecer a um Deus em quem infelizmente não acreditamos o facto de termos nascido e, para além disso, não sabermos dizer uma única palavra das mil e uma que tínhamos para dizer.

O que fizeram de ti


Da  Moody's à chanceler Merkel, passando pelo inefável Miguel Relvas, todos mandam no desgraçado governo português. Todos menos o Sr. José Torres Pereira, de Mondim de Basto, e a Sr.ª Rosa Esteves, de Almeirim. Ah!  E o ministro das finanças Vítor Gaspar também.
Pobre e triste Portugal. O que fizeram de ti!

Laetitia Pinto


Nasceste para fazer o bem e o mal. Espero que mais vezes o bem.
Mas mesmo que seja o mal a tua escolha, voluntários não te vão faltar. 
Eu, por mim, ofereço-me já.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Catarse


A vida não se percorre de forma linear. Por vezes ela muda de direcção, escapa-se-nos do controle, nega a racionalidade pretendida. Parece um carrossel cheio de altos e baixos onde nos limitamos a rodar na chávena gigante à espera que o homem do altifalante anuncie a última viagem.

Por isso é que algumas pessoas não aceitam ser uma só. Tornam-se actores, escritores, políticos, poetas, realizadores de cinema, membros do clero, da maçonaria, da vida social tornada profissão. A vontade de galgar horizontes novos, diferentes dos de sempre obriga-as a isso.

Outras nunca serão capazes de lá chegar. O sonho nelas nunca deixará de ser apenas sonho. Transformam-se assim em mentirosos frustrados pelo desespero de viverem de maneira sempre igual. Ainda por cima de uma vez só porque não há duas vidas, duas oportunidades.

Os heterónimos são formas de estar e de dizer que correspondem à vontade de não ser um só. De escapar a esta realidade imperiosa. De serem de ninguém e muito menos deles mesmos. Todos os que se integram naquele primeiro grupo de pessoas sabem bem disto.

Normalmente não são pessoas felizes. Não se pode ser ora assim ora de outra forma qualquer. Nem os outros deixam nem eles próprios conseguem suportar a toda a hora o facto de não saberem quem vão ser no instante seguinte. Quem vão amar agora ou depois. Se vão ser estudiosos de profissão firmada ou meros observadores da vida que passa bonita na rua.

O pior é a mentira em que naturalmente tropeçam ao quererem ser como são. Ninguém lhes perdoa esse desejo de serem mais que a realidade. E são castigados e castigam-se por causa disso. E são votados ao desprezo por não serem iguais a todos. Logo eles que amam mais que ninguém um a um os outros sem deixarem ninguém de fora.

Se são as vítimas, ou inocentes crivados pelo desprezo dos demais, não o são. Nem os outros são os maus. A vida é que provavelmente não precisava de ser assim. A escolha do itinerário da viagem no carrossel em que se transformou tudo isto deveria, isso sim, ser livre e reescrita sempre que alguém o quisesse. Cada um poderia, desse modo, continuar ou mudar de estrada no próximo cruzamento. Outra vez. Sem que nenhuma das que foram já percorridas e sobre a qual continuamos a viajar deixasse alguma vez de ser a estrada da nossa vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

António Lobo Antunes


Lembro-me de uma vez o ter ouvido durante horas numa sessão pública. Na altura achei que falou apenas uns minutos. A magia das suas palavras matou em mim todos os preconceitos que tinha sobre ele. Não que deixasse de ser mais o homem vaidoso que sempre pareceu ser. Mas antes que o merecia ser.

(Cartoon de André Carrilho)