sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A imagem de mim


Não, não é verdade: aqueles que me acham pretensioso na escolha que faço dos outros estão perfeitamente enganados. E isto é ainda mais verdade se o critério depender de gostarem ou não de mim. Desde sempre relativizei a forma como me olham; ou como falam de mim. Nem sei bem porquê. Até porque em termos racionais há apenas duas justificações para tanto, sem que ambas se me apliquem de modo integral: uma refere-se à alta conta em que alguém se tem — o que não é por certo o meu caso; a outra tem a ver com a sabedoria que a maturidade nos traz, a de ser capaz de relativizar os defeitos de tudo o que nos envolve, na certeza de que nada é perfeito. 

Talvez que este juízo, reconheço-o, tenha a ver comigo. Mas desde sempre. Jovem ainda já o descobria na fala dos que comigo repartiam os lugares da esplanada. E sorria de superioridade avisada perante a fraqueza dos outros. Coitados de serem assim. 

Claro que esta minha contemporização com a fraqueza dos demais tem limites de amplitude. Quando a vontade de ser melhor do que efectivamente se é atinge o plano da maldade, ferindo-me naquilo que o mundo todo sabe ser inexpugnável em mim, bem... aí... é o oceano atlântico a nado a separar-nos. Para nunca mais. 

O cinismo que me caracteriza toma então conta do palco. 

Mas nada disto tem a ver com os meus amigos leitores. Muito menos com as mulheres, claro.

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