sexta-feira, 28 de abril de 2017

Rosa Ramalho


O tempo e os meus calções cresceram. Obedeceram ao movimento da vida. O carrossel não parou e passei a assinar cheques e a usar gravata. E a lembrar-me.

Este fim de semana fui a casa dos meus pais. Vi o álbum de fotografias dos calções. De quando a memória tinha um suporte material. Hoje, com os telemóveis, nada fica. Sobra o Facebook e a nuvem que guardam o passado até um dia.

Entre as diversas fotografias esta chamou-me a atenção. Fixei-a na memória com a ajuda do telemóvel. Por isso é que a nitidez não é a melhor. Mas dá para reconhecer: eu de calções, a minha mãe, o meu irmão e uma senhora velha que na altura era tão-só um dos ícones nacionais. Rosa Ramalho de seu nome, ceramista e artista popular de eleição.

Nos olhos dela via-se tudo. O génio, a capacidade de ver as coisas de sempre de outra forma.

Nunca foi à escola. Quando se diz que o talento nasce do esforço, quase nunca é só assim. Durante 50 anos, enquanto foi vivo o pai dos seus sete filhos, não moldou o barro com as suas mãos. Havia que fazer face à vida difícil. Só depois, aos 68, pôde então dar largas à imaginação.

Os especialistas falam que sem o saber, Rosa Ramalho fazia arte surrealista, tal o modo como traduzia o seu imaginário acrescentando a cabeça de um bicho ao corpo de gente, aumentando ou diminuindo as partes de uma estatura física que via de forma singular.

Lembro-me bem daquela tarde. Fomos à casa dela com um escultor nosso amigo que queria fazer um busto da artista tornada mito pela televisão e pelo poder político do tempo.

Parecia uma avó. Gostou do meu irmão e de mim, mas no meu caso não fez favor algum. Foi à oficina onde modelava e trouxe debaixo do avental – podia algum dos familiares estar a ver – um Cristo que nos ofereceu.
Não sei se o miúdo do lado esquerdo da fotografia (o meu irmão) se apercebeu da qualidade artística da peça. Eu apercebi-me logo e de quanto poderia valer no ano de 2017.

Às vezes era bom podermos voltar atrás e recuperarmos algumas coisas. Nós e o País. Por exemplo, o Estado cumprindo o prometido: a recuperação do terreiro da fotografia e da casa da artista criando assim o Museu Rosa Ramalho.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Eduardo Souto Moura


O meu fim de tarde de hoje foi diferente. Estive em amena cavaqueira com o Souto Moura. Eu e mais cem pessoas. Ao fim de hora e meia de histórias contadas com sentido de humor, a conclusão de sempre – as pessoas quando são cultas entregam-se ao auditório, fazem de tudo para agradar. Podia ter falado de arquitectura na sua variante teórica, no sortilégio do traço ou da luz. Souto Moura preferiu falar daquilo que ele sabe que o público gosta mais. De onde surgiu a ideia de escolher aquela área de estudos, a família, o irmão procurador-geral, a pedreira de Braga transformada em auditório greco-romano. E a Ana Sousa Dias, esperta, a espevitar essa intimidade entre os assistentes e ele. O prémio Pritzke a rir do prémio Pritzke, a falar do risco que não sabia fazer enquanto estudante de arquitectura. Por fim, o elogio humilde do discípulo ao mestre Siza Vieira que lhe ensinou muito do que sabe. Da bondade e misticidade do Álvaro enquanto homem e artista. Gostei muito de o ouvir sozinho comigo. Percebi-o principalmente quando um colega meu no final da rábula, num outro espaço mais resguardado, perguntou-lhe “Cansado?” e olhei para a cara dele e vi um homem com vontade de estar isolado com ele mesmo, bom tipo mas ansioso de amainar os nervos e voltar a ter um lápis na mão.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vídeo comemorativo dos 25 anos da SIC


Sei que não é consensual a minha opinião mas acho ridículo o vídeo comemorativo dos 25 anos da SIC. Logo na estação de televisão que maior culto faz da imagem. Seja em reportagens seja em espectáculos. Desta vez parece que encomendaram o trabalho aos alunos de uma escola C+S. Então os Balsemão pai e filho à espera dos profissionais avençados é de rir. Salva-se no meio desta desgraça a Ana Patrícia Carvalho. Um beijo para ti.

Photo by SIC

domingo, 16 de abril de 2017

O pecado e a redenção


Era a terceira paróquia daquele dia, em terras do interior, sem gente e a pouca que ali vivia à espera do passamento para a eternidade.

Trinta e três graus no céu e trinta e três botões na sotaina. Quantas saudades de Salamanca e do tempo da Páscoa que lá se vivia. Festejava-se a Ressurreição de Cristo e a chegada à vida adulta das jovens tresmalhadas.

Ao mesmo tempo discutia-se o pecado e a redenção. Era considerado pelos pares um padre promissor. A tentação e o diabo encarregaram-se de o mandar para aquele fim do mundo.

E o calor que não dava tréguas. O calor e as mulheres velhas que queriam o salvo-conduto para o céu.

Ao seu lado uma delas falava e falava cumprindo o sacramento da confissão. Não a ouvia porque diziam todas mais ou menos a mesma coisa. Que a vida era difícil, os filhos fora a fazerem pela vida, o marido enterrado naquela terra de satanás.

O padre resolveu despertar daquela letargia e finalmente perguntou qual a sua contrição. A mulher velha pôs a mão no sacerdote e disse-lhe: “Eu o absolvo dos seus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
Os trinta e três botões e o cabeção cada vez mais sufocavam o homem de Deus e dos dias de Salamanca, mas mesmo conseguiu responder: “Ámen".

"Vá em paz e reze três Ave Marias e dois Padre Nossos" – sentenciou a velha.

O padre levantou-se resignado, pensou na casa paroquial, nos trinta e três botões de que finalmente se ia livrar e na ceia cozinhada com fé pela santa da Rosalina.

Photo by Cristina Garcia Rodero, 1980

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Furgoneta com vista para a dentista


O problema de tantas vezes. Rua de sentido único e uma furgoneta parada na minha frente. O tempo a passar e ninguém para além do condutor. Apitei.

Foi nesse instante que saiu pela porta do lado direito do veículo uma senhora baixa, aldeã, vestida com a roupa de usar nos casamentos, carteira debaixo do braço (só para enfeitar que o dinheiro trazia-o junto ao sutiã), passo em direcção ao consultório da dentista que ficava logo em frente. Mas antes fez algo que me impressionou muito.

Estacou desafiadora na minha direcção, olhou com desprezo misturado com altivez, uma verdadeira lição de moral por causa daquela buzinadela. E deu meia-volta sem precisar de dizer nada.

A bofetada em mim teria sido mais intensa se nesse momento ela não tivesse tropeçado numa daquelas bolas pós-modernas que delimitam os passeios das ruas. Escusado será dizer que a altivez raras vezes usada espalhou-se ao comprido naquele chão amanhado pelo diabo. A última coisa a cair foram as pernas que tentaram escapar ao desastre mantendo-se o mais possível de tempo viradas para o céu. A carteira, essa, a mão não a largou. Só a dignidade se foi com o olhar de antes.

Virei a cara para a frente. O marido procurava no retrovisor a imagem da mulher sem a encontrar. Já entrou no consultório, pensou ele, e arrancou. Por isso é que a escolheu para mãe dos seus sete filhos. Sempre foi despachada. Que o diga a lua grande da festa da Sr.ª das Neves quando a conheceu.

sábado, 8 de abril de 2017

A noite e o sono


A todos uma noite serena, feliz, na companhia de Deus Nosso Senhor. Aos casais que pensam fazer o amor, não se esqueçam que Ele está no meio de nós.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

PSSSTTT… FAZ FAVOR!


Eu sei que muitos dirão que isto é um não-tema. Os tempos são outros e não vale a pena lutar contra a realidade feita norma. Mas não desisto em nada assim tão fácil.
Em primeiro lugar porque a vida tem regras que a tornam possível em sociedade. Em segundo porque há coisas que são nossas e não podem ser de mais ninguém.
Entre estas últimas está o nome. É ele que nos identifica em primeiríssimo lugar. Por isso tem tanta importância a forma como é dito. E aqui entram as regras. Vou falar-vos de algumas.
Pensei consultar a Bíblia do Palácio das Necessidades – o manual sobre protocolo de Estado da autoria do embaixador Calvet de Magalhães – ou mesmo o Código Bobone, mas achei que o assunto não merecia tanto.
De modo resumido, então: aqueles que me chamarem de Sr. Francisco, em Lisboa ou no interior do País, ou Sr. Sérgio no litoral norte, lanço sobre eles mau-olhado que vai perdurar até à 5ª geração. E atenção. Sou bom nisto. Que o digam os alentejanos que tantas vezes solicitaram os meus serviços para lhes tirar o diabo do corpo.
Como devem então chamar-me? É fácil. Se não quiserem dar-se ao trabalho de me chamarem senhor embaixador, que é o título que mais condiz comigo, basta juntar o apelido ao meu nome próprio. Por exemplo: Sr. Francisco de Barros, Sr. Sérgio de Barros, ou mesmo Sr. Barros e Barros. Se não quiserem usar o termo senhor, porque dá algum trabalho, também não faz mal. Dispenso-o com a bonomia com que normalmente prazenteio a Monica Bellucci.
Mais. Se por acaso se cruzaram comigo mais que duas vezes, ou forem meus amigos no Facebook, agradeço que me nomeiem simplesmente de Francisco ou, então, de Sérgio. Há muito que a Monica sabe disto e não lhe custou nada.
Agora como me aconteceu outro dia na esplanada, com uma empregada dos seus 20 anos, que me disse “e o amigo vai querer o quê?”, não, mas não mesmo.
Ainda lhe perguntei se era minha amiga no Facebook, mas perante a resposta negativa, logo ali lhe lancei a maldição a todos os seus namorados, filhos, netos e por aí fora, tal o destempero da moça.
Quando se me dirigem com o epíteto de jovem – merecido, por sinal – bom, aí sou mais condescendente. Coitado do rapaz, vem de famílias pobres, teve péssimos professores. E por aí fora.
Já a mesma sorte não têm os meus clientes. Quando a minha assistente, a D.ª Lurdinhas, os ouve a chamarem-me de setôr e não de senhor doutor, logo o sangue do Minho sobe ao rosto, e manda-lhes um bofetão que faz a cadeira giratória rodar no mínimo 23 vezes.
Facto que, conforme calcularão os meus amigos leitores, muito me desgosta. A mim e à companhia de seguros que começa a fartar-se do pagamento de tantos cuidados de ambulatório. Abençoada hora em que fiz o seguro de acidentes de trabalho!

(Ilustração de René Magritte)

sábado, 1 de abril de 2017

Sérgio Barros e Barros


Chegou a vez do Porto. No centro da cidade. Muito em breve

Aconselhamento de pessoas. Porque precisamos de pensar em voz alta. Se possível escutados por alguém com formação filosófica. E experiência na resolução dos problemas concretos que a todos afligem. Com a colaboração de especialistas em diversas áreas.


É a si que eu quero ouvir. Ajudando-o a tomar decisões em termos de projecto de vida.

Até já.

(Imagem: Hooper, 1940)

terça-feira, 28 de março de 2017

Quem quer ser mais louco?


Há muito que não me ria tanto com uma notícia de jornal. Digo-o vezes sem conta à minha assistente, a D. Lurdinhas: quando alguém lhe parecer sofrer dalgum mal patológico mande-o para a psiquiatria. O caso não é da minha conta. Os políticos em corrida a ver quem produz o projecto de lei que torne mais rápido o intervalo entre um casamento e o que vem a seguir, incluem-se no grupo dos doentes. E são tantos. Num país como o nosso com o maior índice de divórcios em toda a Europa, com um número médio de três casamentos por vida, discute-se com tanto afinco se a espera do próximo matrimónio deve ser de 180 ou de 30 dias. Ou de nenhum. Inseridos como estamos no domínio da loucura, a última hipótese mesmo assim parece-me a melhor. Termina-se os trâmites do divórcio, não se muda de sala, apenas se troca a roupa interior na casa de banho ou no carro (o decoro nestas coisas é muito importante), e o novo conjugue pode entrar no outrora território do divórcio. Se há filhos para nascer, saber quem é o pai, que interesse tem? O que interessa é a felicidade do momento. O depois só é depois. O curioso disto é estar em causa uma instituição que ainda há pouco era renegada por aqueles que hoje se batem por todos os meios pela sua implementação geral. Todos se lembrarão de o casamento ser um ritual escusado, produto de uma sociedade hipócrita, com contornos burgueses. Agora são os mais interessados em reclamarem o casamento seguido de casamento. Está tudo doido.

Photo by Observador

domingo, 19 de março de 2017

Chega! Agora falando de coisas sérias...




Os meus filhos de 9 e 11 anos presentearam-me ao acordar com música clássica escolhida por eles, um pequeno-almoço como deve ser, poemas escritos e musicados pela genética de ambos e ainda a banda sonora que me acompanhou o dia todo. Escusado será dizer que fui às lágrimas com esta música.

O Facebook e eu


Diz-se tão mal das redes sociais e eu não concordo. Está ali o mundo todo. Qual dos mundos: o da verdade ou o da mentira? Que Platão não nos ouça mas existe um mundo só. Aquele que mente e diz a verdade. Às vezes quase ao mesmo tempo. Ninguém é apenas um; eu por mim sou vários. E quero sê-lo. Que aborrecido seria ser só um.
É isso que tem graça no Facebook: a diversidade. Há pessoas de todo o género por aqui. A mulher que escreve bem, a mulher que julga que escreve bem. O homem que acha que vai encontrar oportunidades que o tornarão feliz. A mulher sonhadora que nunca deixará de o ser.
Entre os meus amigos virtuais há pessoas excepcionais. De que nunca me esquecerei. Melhores que muitos dos amigos de carne e osso. Aliás, são estes os que me criaram mais dissabores nesta rede social. Fazem de conta que não se lembram, escondem os filhos, não dizem nada, desamigam-nos. E depois, a decepção: não são iguais ao que já foram, aquilo que lhes dava graça hoje percebe-se ser causado pela esquizofrenia ou, noutros casos, pela amargura a que a vida os conduziu.
Em seguida, as mulheres do Facebook. Pronto, lá vem ele com o tema do costume, pensam todos. E nada disto é verdade. Eu gosto é de pessoas. Sejam de que sexo forem.
Claro que gosto mais das mulheres. Mas eu não tenho culpa. A verdade é que são mais bonitas, mais caprichosas, mais desafiadoras, andam de uma forma que nem ao diabo lembraria… E as saias a esvoaçarem por entre as pernas, os cabelos a serem puxados para a frente e logo de seguida, de uma vez só, a regressarem ao sítio de sempre, levados por um vento que só as mulheres possuem. Sem que saibam o poder que lhes pertence quando mexem com os dedos nos cabelos. Raios as partam.
E agora a verdade de Platão e a minha também. Preparem-se. Nunca me encontrei com alguém que tivesse conhecido no Facebook, não utilizo os chats de conversação, conheço as pessoas apenas através das fotografias. Não respondo às mensagens, nem aos pedidos de aconselhamento.
Tenho-o dito várias vezes: quando quiserem entrar em contacto comigo devem falar com a minha assistente, a D. Lurdinhas. Muitas zangas têm resultado disto mesmo. E eu não sei ser de outra forma. Aliás, quem me conhece sabe da dificuldade que sempre me caracterizou em demonstrar o que sinto.
Eu gosto é das pessoas, já o disse. Na escola detestava estudar matérias que não tivessem directamente a ver com o ser humano. Por isso é que tento resolver os problemas dos homens e das mulheres. Mesmo que esses dilemas sejam do meu conhecimento apenas através do Facebook. A resposta vem depois. Superado um mal d’amor de uma mulher, por exemplo, o marido bloqueia-me ou cria um perfil conjunto com a dita ou ameaça-me através de mensagem.
Tenho passado por tantas coisas. Esquecendo-se os homens que controlar as páginas das suas mulheres é um erro crasso. Por três razões: porque sofrem desnecessariamente, porque todos temos direito a um tempo e a um espaço só nosso – por mais limitado que seja –, e também porque não serve de nada. Pode controlar-se algumas coisas. Menos o pensamento.
Mesmo assim vale a pena o Facebook. Há apenas uma coisa que não perdoo ao Sr. Zuckerberg: o algoritmo que escolhe por nós as pessoas, os dizeres, os textos, as notícias. Com consequências bem desagradáveis. Muitos dos que me acompanham nesta estrada virtual desaparecem durante meses e meses, são substituídos por outros que a fórmula matemática acredita serem mais do meu agrado. Controlam-me ou tentam controlar-me. E disso não gosto mesmo nada. Ouviu, senhor do livro na cara? Eu quero apenas continuar a estudar e a amar aqueles que comigo por aqui andam.

domingo, 12 de março de 2017

Outra vez Viana


Viana, finalmente Viana. Quantas saudades! Vão ser apenas algumas horas mas vividas com emoção. Sem que ninguém saiba. Haverá apenas sessão de selfies entre as 7 horas e as 7 horas e cinco minutos da manhã na Praça da República. Nada de visitas às IPSS, ao Bispo, às bolas de Berlim ou às empadas de lampreia do Manuel Natário. Em todo o tempo, só eu e o mar. E a Teodora Cardoso. Vão ser momentos Zen. De paz total. Por isso é que é importante que não seja do conhecimento público este meu reencontro com Viana. Se eu quisesse que se soubesse publicava a notícia no Facebook.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Agora é a vez dos homens


Hoje comemora-se um dos 364 dias do Homem. Magro reconhecimento da dificuldade de o ser nos dias de hoje. A deusa não quer saber e o escravo tem vergonha de dizer o que lhe vai na alma em público. Além de que lhe falta tempo. Tem de agradar a todos sem parar. E de assinar as contas, os contratos, os processos judiciais, as notas dos filhos que estudam na Católica (a tal que só reconhece a existência legal do pai). Passa tardes na Zara com um calor do deserto -- o suor a cair-lhe pelo rosto -- a acompanhar a mulher nas compras, ao mesmo tempo que lhe ouve as queixas da Tita, da Kika, da Mimi. Manifesta interesse em ver a biografia de Tolstoi e ela a querer assistir ao jogo do Benfica na Sport TV. E depois a conversa do costume, temos de falar mais vezes do que eu gosto na cama, já não gostas de mim, um dia isto vai acabar mal. As ligas a quererem dar um sinal da sua graça debaixo do robe e a Teodora Cardoso a falar na televisão. O telefone toca, querem vender colchões mas só aceitam falar com o homem da casa. O corpo a pedir cama que o dia de amanhã é extenuante. Aturar o chefe, penetrar a intimidade que as pernas da colega Júlia ajudam a encontrar, fazer o cunnilingus à vizinha do 3* esquerdo antes do jantar. À noite assistir ao debate sobre os erros daquelas azémolas dos árbitros do Benfica-Torres Vedras, visitar por volta das três da manhã os aposentos da Lurdes, a empregada da casa que espera furiosa pelo senhor desde a meia-noite e um quarto, acabar de preencher a auto-avaliação que ficou de entregar no departamento de recursos humanos. 
Tem de ser aprovada a sua prestação profissional assim como a sua performance sexual. Que diria a Teresa e a sua amiga Michelle quando amanhã se encontrar com elas e o desempenho resultar em algo que não corresponda aos mínimos olímpicos. Não que as mulheres não são como os homens. Não se calam. Contam tudo. Destroem o prestígio de um macho em dois tempos. São mais discretos os técnicos do departamento de recursos humanos. Malvadas das mulheres. Os homens têm de estar sempre prontos. Quer queiram quer não. Em pé é a posição natural daquele que usa fato e gravata e tem de lutar pela defesa da honra da mulher e dos filhos. 364 são poucos dias.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A senhora deputada


Estou numa sessão pública a ouvir uma senhora deputada como oradora principal. Conheço-a há muitos anos. Destacava-se pela beleza e pela serenidade que transmitia. Viajamos no mesmo automóvel muitas vezes. Protagonizou a história de amor mais bonita de que fui testemunha.

Hoje olho para ela e confirma-se a minha sensação de repugnância, de desdém consciente. Escrevi um dia que não acredito na amizade. As pessoas transformam-se, são máscaras estranhas daquilo que um dia foram. Principalmente se entretanto se tornarem representantes da nação. E salvo honrosas excepções ser deputado vale muito pouco.
Às vezes a vida é uma tristeza.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Isabel Moreira


Primeiro que tudo tem um pai admirável… Que a olha com um misto de respeito intelectual e de enternecimento. E que sorri perante as aventuras sem dono da Isabel. A trote ou a galope desenfreado. 
Poucos portugueses a conhecem verdadeiramente. Elegante, caprichosa no vestir, é dona de uma sensualidade rara. Gosta de homens que gostam de mulheres que gostam de homens. Tem bom bosto a Isabel. Quase tanto quanto eu quando a escolhi como amiga.

Photo by Lux Woman

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ana Moura e o amor




Finalmente resolveste seguir o meu conselho e namorares. Ninguém pode falar de amor sem o viver. Depois do insucesso com o Márcio Silva, das tentativas mal sucedidas dos marialvas Ruben Alves e José Eduardo Agualusa, só mesmo o Ruben da Cruz poderia mostrar-te as estrelas à noite, deitados de mão dada na praia, a verem chegar as andorinhas e a Primavera. 
Dizes que estás apaixonada há um mês. Que bom um período de tempo tão longo. É necessário conhecermos aqueles a quem autorizamos que a nossa gata se aninhe no seu colo. Entretanto vai aos treinos. E continua a cantar como só tu o sabes fazer. Lá para Abril, então, embarcas em mim.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Luís Marques Mendes


Não resisto em dizer: Marques Mendes em termos de altura dá-me pelo cotovelo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu e as escadas (No dia dos namorados)


A minha relação com as escadas sempre foi muito própria. Nunca achei que fossem degraus que nos levam a um qualquer apartamento. Para mim são leito de amor. Ou então sítio de transgressão aplainado pela paixão. Por isso é que toda a minha vida está ligada às escadas.

–  Lembras-te do nosso primeiro beijo? Tu um degrau abaixo do meu. Com os olhos de mulher jovem pronta para o amor. Eu, malandro de tanto saber, a dizer para subires o degrau. Até ficarmos no mesmo plano. Quer dizer, mais ou menos. Eu filósofo encartado e tu candidata a estudante de jornalismo.

E o beijo aconteceu. Os lábios pareciam carne aveludada que só o amor sabe distinguir. Tão intenso foi esse beijo que dele nasceram vários filhos.

E agora, voltarão eles às escadas, mais tarde, quando forem à busca do amor? Por mim, a reposta é muito clara. Para subirem ao 7º andar do prédio, utilizem o elevador, a Magirus, o helicóptero.

As escadas estão reservadas aos pais. Para sempre. Da mesma forma que da primeira vez.

Quanto aos filhos... tenho tanto medo do amor dos filhos. Porque esse sentimento tanto pode doer como pode embriagar-nos de felicidade. Mas o amor é isto mesmo. Eu sei. E eles são belos e inteligentes.

Não preciso por isso de me preocupar. Basta estar atento e de cartucheira debaixo do braço. O resto, o resto é a vida. Que pertence por dever e direito a cada um.

Feliz dia dos namorados, meus amores.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

O amor, esse sentimento estranho...


Não há nada melhor que um amor feliz. Tudo se torna mais bonito, parece que vivemos noutra dimensão. O que está à nossa volta é relativizado, Trump é um indivíduo sem importância e a União Europeia pode acabar amanhã que ficamos na mesma.

O problema é quando não somos felizes no amor. Ou porque não somos correspondidos, ou porque não encontramos a pessoa certa. Aí pensamos uma vez mais na inutilidade de tal sentimento e de como viveríamos melhor se ele não existisse. Amava-se meio-dia, uma ou outra vez às cinco da tarde, vá lá, de quando em quando, uma noite inteira.

Vem isto a propósito daquilo que se está a passar com o meu amigo de adolescência Vítor Antunes (o da fotografia) adorado pelas mulheres daquele tempo -- logo a seguir a mim. Foi abandonado pelo seu amor. E sente-se terrivelmente só.

O Vítor é um alto quadro numa empresa londrina, propriedade de um excêntrico escocês, de nome Ian Wallace, que faz questão de vestir o kilt nas festas promovidas pelos colaboradores da sede.

Este meu amigo vive em paixão avassaladora no apartamento que divide com o seu namorado, o também português Zé D'Orey, que por sua vez é assistente pessoal do empresário escocês.

Na semana passada, naquela que estava aprazada ser a semana das arrumações do apartamento por parte do Zé, o malandro do amor pôs-se a andar para a mansão do homem do kilt.

Que não aguentava mais a recusa do sentimento e, ainda por cima, o Wallace tinha um filho adoptivo, justificou uns dias depois o D'Orey.

Neste momento o Vítor Antunes está só, vive a fase do nojo, e tudo isto faz-me muita impressão por, entre outras razões, a nossa amizade ser tão antiga quanto os nossos sonhos de felicidade futura. Coragem, Vítor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Mulher velha - Mulher nova


"Pernas de criança sem roupa decente a cobri-las. Que vergonha! Podes bem roer as unhas todas que vais ter muito que esperar. A esta hora está com outra. Se eu no meu tempo esperava por alguém... Substituía-o logo por outro. Sim porque se há coisa que não me faltava eram homens. Bonitos, com bons cargos, gente de categoria. Também é verdade que era muito mais interessante que esta aqui. As minhas pernas à beira das dela... Coitada... Ainda hoje... O quê? Não acreditas? Cabra. Sabes lá tu. Vivi tudo a que tinha direito. Dormi com quem quis. Comiam na minha mão. São tão tontos os homens. Havia um ou outro... Mas agora não há nada parecido. Não valem nada. Tens muito para aprender, pequena. Vai-te embora que ele não presta. E veste alguma coisa decente. Ai se eu tivesse outra vez dezanove anos...!"


Photo by Henri Cartier-Bresson

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Para os meus alunos do 1º ano de comunicação


O trabalho de pivô das notícias sempre me impressionou. Atenção, 10 segundos, 5, o rosto coberto de creme pegajoso, 3, só os olhos e os lábios escapam à alvura imposta pelas luzes, 1, boa noite, Donald Trump fala com Bill Gates para que a internet seja interrompida por tempo indeterminado.
Como é que se chama a pivô? Não me lembro, mas isso agora não interessa nada. Theresa May garante que o Brexit é para levar adiante, uma granada explode em Ancara e mata 13 pessoas, engraçado parece que ela está a olhar para mim, não pode ser, ela não me vê.
Passam imagens de Ancara. Quando é que ela vem outra vez? Aí está. E continua a olhar de forma voluptuosa. Não. O Trump tramou isto tudo. Confirmo com um piscar de olhos. Nada. Nenhuma resposta da Ana Patrícia Carvalho. Mas eu iria jurar que...
Levanta-se agora. Aponta para as primeiras páginas dos jornais. Não vejo uma sequer. Só vejo a ela.
Um dia vou ao Barreiro, à terra da pivô tirar as dúvidas, digo para comigo sabendo que nunca o farei.
Acho melhor deitar-me e voltar à realidade. Pode ser que amanhã ponham a Teodora Cardoso ou a Ana Avoila a ler as notícias. Só assim saberei o que se passa no mundo.
Pego no telecomando para desligar a televisão quando ouço a Patrícia a despedir-se dos telespectadores e... num tom pausado... sensual... sem ponta de dúvida: "uma boa noite especial para o Sérgio Barros e Barros a quem convido para jantar comigo amanhã à noite no Altis Belém Hotel".
Não dormi, não comi até ao pôr-do-sol do dia seguinte.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As prendas e os professores


Agora negam! Claro, iam dizer que sim, queres ver... Enfim, depois dos médicos, os professores. As classes privilegiadas no seu melhor. Já estou mesmo a ver as prendas dadas pelas editoras aos docentes: canetas Montblanc a rodos, rave parties em Ibiza, fins de semana com festas de gala na Villa La Vedetta, em Florença, e por aí fora. Fala-se mesmo à boca pequena de um casal de professores da Escola C+S de Arruda dos Vinhos, que foi convidado para estar presente esta sexta-feira na cerimónia da tomada de posse do Presidente Trump, com direito, além do mais, a participar num dos muitos bailes comemorativos daquele evento. Tudo porque o tal casal conseguiu adoptar na turma do 7º B, na disciplina de Francês, o manual Vive la France. Uma vergonha!

domingo, 15 de janeiro de 2017

A propósito do congresso dos jornalistas


Tanta vacuidade, tanta vaidade, tanta camisa de xadrez e bolsa a tiracolo – a farda da profissão que se remata com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado – circularam por estes dias no congresso dos jornalistas. E protestos, muitos protestos. Contra os outros, claro. Nunca assumindo os próprios erros.
São as redes sociais e os energúmenos que as frequentam, consumidores acríticos da não-verdade. Dois erros imensos de avaliação: a comunicação digital trouxe possibilidades novas nunca sonhadas e que não a estão ser devidamente aproveitadas pelo modelo de negócio da comunicação social; por outro lado, o público consumidor de informação é completamente diferente do de há três décadas atrás: muito mais culto, mais exigente. Escreve bem, por vezes melhor que o jornalista profissional, frequentou cursos universitários exigentes.
Quer isto dizer que o jornalismo profissional tem os dias contados? Claro que não, bem pelo contrário. Tem é de evoluir em dois campos aparentemente contraditórios mas que acabam por se complementar: a velocidade da notícia e o enquadramento esclarecidos dos factos. E isto na mesma plataforma noticiosa, seja digital ou impressa. Sim, digital também, essa ideia de que os textos mais sérios ou mais extensos não têm lugar nas novas tecnologias informativas tem sido um erro trágico.
O leitor actual mudou tanto ou mais que o mundo actual. Já não lê no mesmo sítio todos os dias, às mesmas horas. Fá-lo a qualquer momento – em viagem, em ócio, durante o trabalho, em resposta a uma questão momentânea. Sem com isso admitir qualquer desvalorização da qualidade informativa. Sabe é diferenciar, conforme dissemos já, a mera notícia da mundividência que a envolve.
E consulta a informação não nos sites noticiosos mas nas aplicações para smartphones, ao contrário do que quase todos pensam.
O sucesso de casos como o Observador ou El Español (ideologias políticas aparte) constitui os primeiros passos de algo que vai necessariamente desenvolver-se.
E a imprensa publicada? Terá sempre lugar, agora mais dedicada a públicos-nicho, com o desenvolvimento e investigação dos temas em análise mais assumido, com o design e a qualidade das fotografias objecto de um investimento diferente.
O resto é lamúria, ignorância, desculpabilização à custa dos que não têm culpa. E, já agora, mudem a forma de estar e reduzam essa atávica vaidade. Em verdade não a merecem.

Francisco Sérgio de Barros e Barros
Carteira de jornalista TE-2

Foto: Meios & Publicidade


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Morreu um aluno


Da morte o que nos separa é algo muito ténue. Por vezes quase nada. Entra-se no carro do pai depois de um dia de aulas, percorre-se caminho em direcção à nossa casa, vem uma carrinha em sentido contrário ao nosso e… é a morte que nos abraça, leva-nos com ela, deixa um vazio nos outros que dói, fere. É pérfida a morte. Principalmente quando se tem 17 anos, rosto de modelo fotográfico, uma vida para amar. O Emanuel Veiga, aluno do Liceu de Bragança, não merecia isto. Nem ele nem os outros que com ele sonhavam os dias que vêm aí. Resta-nos mantê-lo vivo na nossa memória, nas festas que fizermos, nas conversas que mantivermos daqui a 30 anos, na cidade de Bragança que soubermos construir. Juntos a ele. Sempre.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Falta a Julia Roberts



Estou numa esplanada onde o ser mais interessante que aqui está é um fabuloso cão. Não está mal mas não era bem isto que eu esperava.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Adeus Mário Soares


Mário Soares morreu hoje. A notícia era esperada há algum tempo. Estávamos por isso todos preparados para ela. Mas mesmo assim custa. Não era uma pessoa qualquer. Muitos não saberão mas tempos houve em que do nosso país os estrangeiros conheciam a Amália, o Eusébio e o Mário Soares. Entre a geração de políticos de excepção que a Europa teve – sim, um dia teve, parece incrível! – constam nomes como François Miterrand, Willy Brandt, Olof Palme, Hans-Dietrich Genscher, Felipe Gonzalez, Helmut Schmidt, Helmut Kohl, Jacques Delors e, claro, Mário Soares.
Mas não é disso que vou falar hoje. Fica prometido para outros espaços de reflexão. Vou antes dar-vos conta da memória pessoal que guardo dele.
Importa dizer que desde muito cedo gostei de política. Lembro-me de criança ainda recusar o gesto afetuoso de Américo Tomás ao querer fazer-me uma carícia na testa, num jantar faustoso, depois de ter chegado no Rolls-Royce da Presidência; de integrar-me, alguns anos mais tarde, na fila que na Sexta-Feira à noite esperava pela edição do semanário Jornal (era eu o mais jovem dos clientes); de ler o Expresso de uma ponta à outra (anúncios de emprego incluídos).
De Mário Soares recordo-me da 1ª vez que estive com ele. Só não levava calções porque nunca mais os usei desde os oito anos de idade. Abeirei-me dele, o meu herói político, não me lembro se consegui dizer coisa alguma, cumprimentei-o e… não, não leiam mais aqueles que não gostam dele... desejo-vos um tempo feliz na companhia da TVI… sejam vocês mesmo segundo os mandamentos do Reiki… cheirei as mãos... e lá estava ele… um perfume beatífico, dos Champs-Elysés, quase-terreno, quase-celestial.
E depois as gravatas. De um bom-gosto irrepreensível. Os fatos feitos à medida num corpo que ultrapassava as coordenadas dos dietistas mas que a altura acima da média ajudava a disfarçarem.
E que valia isso perante a verbe de Mário Soares? Como jornalista acompanhei algumas vezes congressos, acções de incentivo dirigidos à actividade empresarial. Escusado será dizer que havia sempre indivíduos preparados para zurzir no político – a grande maioria regressados das antigas colónias e zangados com tudo e com todos.
Mário Soares entrava nos anfiteatros com o seu passo largo, o sorriso confiante no rosto e a inigualável desenvoltura pronta a actuar.
Algum tempo depois, a bonomia posta em acção, um interesse genuíno naquilo que os outros diziam, a última palavra escolhida a preceito, e era vê-los juntos, braços nos ombros, irmanados na ideia de progresso e de investimento.
É com muita emoção que escrevo hoje sobre Mário Soares, o homem que mais me influenciou politicamente. Vivemos na actualidade outros tempos, políticas novas. Dizem que pertencem à era da pós-verdade. Pode ser que sim. Mas uma coisa não faça o possível eleitor nunca: não se deixe representar por políticos que não saibam juntar o exercício político à cultura, seja ela livresca, científica ou artística. Mário Soares é o exemplo perpétuo disto mesmo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Ano Novo


Ei...!! Você aí... O que se passa consigo!?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A política portuguesa e os seus protagonistas


Em tempo de balanço de ano, importa chamar a atenção para algo que não tem sido referido: a qualidade dos dirigentes actuais da política portuguesa.
O que aliás é algo muito raro. Nem sequer é cíclico. Desde Mário Soares que a excelência não integrava o exercício político. Com algumas asneiras pelo meio, é certo. Mas, no geral, a tríade de homens que nos representa no poder tem feito um trabalho meritório.

domingo, 25 de dezembro de 2016

George Michael


Os sons que marcaram a nossa vida estão pouco a pouco a desaparecer. Precisam de ser substituídos, se possível com mulheres de igual calibre a embelezar os vídeos promocionais.
Adeus George Michael. Queremos outro George Michael com a mesma manequim a desfilar na passerelle transportando os retrovisores de lei no corpo que quase parecia roupa. 
Entretanto, que se está a passar com os nossos contextos de vida?

Natal é isto


Recordar e voltar a ser. Por momentos que seja. Uma vez mais. De forma dolorosa ou não. Mas remisturando os dados. Percebendo de maneira diferente. E, principalmente, preservando-nos. O que passou não volta mais. Pode acontecer parecido mas nunca igual. Até porque não somos iguais para sempre. A pessoa alegre de ontem pode ser hoje um degradante retrato de si mesma. Merecendo o nosso amor ou não.
Uma coisa é certa: não se ama alguém por acaso. Por isso é que é difícil encontrar quem mexa connosco. Que nos convoque de corpo inteiro e de espírito. Por ser um sentimento tão selectivo nunca acreditei no fim do amor. Pode esmorecer, ficar entre parêntesis, esquecido até. Mas está lá. E capaz de voltar a nascer mais rápido que um semáforo vermelho que passa a verde.
Cumprindo-se desta forma o Natal, a Páscoa, o primeiro dia de férias, a celebração da Restauração, agora.
Marina Abramovic, Ulay, Leonard Cohen, Marianne Ihlen sabiam e sabem disto.

sábado, 24 de dezembro de 2016

É Natal


 – É agora que apanho o tipo que escreve neste blogue. Deve estar a chegar para passar o Natal com a família.