terça-feira, 28 de março de 2017

Quem quer ser mais louco?


Há muito que não me ria tanto com uma notícia de jornal. Digo-o vezes sem conta à minha assistente, a D. Lurdinhas: quando alguém lhe parecer sofrer dalgum mal patológico mande-o para a psiquiatria. O caso não é da minha conta. Os políticos em corrida a ver quem produz o projecto de lei que torne mais rápido o intervalo entre um casamento e o que vem a seguir, incluem-se no grupo dos doentes. E são tantos. Num país como o nosso com o maior índice de divórcios em toda a Europa, com um número médio de três casamentos por vida, discute-se com tanto afinco se a espera do próximo matrimónio deve ser de 180 ou de 30 dias. Ou de nenhum. Inseridos como estamos no domínio da loucura, a última hipótese mesmo assim parece-me a melhor. Termina-se os trâmites do divórcio, não se muda de sala, apenas se troca a roupa interior na casa de banho ou no carro (o decoro nestas coisas é muito importante), e o novo conjugue pode entrar no outrora território do divórcio. Se há filhos para nascer, saber quem é o pai, que interesse tem? O que interessa é a felicidade do momento. O depois só é depois. O curioso disto é estar em causa uma instituição que ainda há pouco era renegada por aqueles que hoje se batem por todos os meios pela sua implementação geral. Todos se lembrarão de o casamento ser um ritual escusado, produto de uma sociedade hipócrita, com contornos burgueses. Agora são os mais interessados em reclamarem o casamento seguido de casamento. Está tudo doido.

Photo by Observador

domingo, 19 de março de 2017

Chega! Agora falando de coisas sérias...




Os meus filhos de 9 e 11 anos presentearam-me ao acordar com música clássica escolhida por eles, um pequeno-almoço como deve ser, poemas escritos e musicados pela genética de ambos e ainda a banda sonora que me acompanhou o dia todo. Escusado será dizer que fui às lágrimas com esta música.

O Facebook e eu


Diz-se tão mal das redes sociais e eu não concordo. Está ali o mundo todo. Qual dos mundos: o da verdade ou o da mentira? Que Platão não nos ouça mas existe um mundo só. Aquele que mente e diz a verdade. Às vezes quase ao mesmo tempo. Ninguém é apenas um; eu por mim sou vários. E quero sê-lo. Que aborrecido seria ser só um.
É isso que tem graça no Facebook: a diversidade. Há pessoas de todo o género por aqui. A mulher que escreve bem, a mulher que julga que escreve bem. O homem que acha que vai encontrar oportunidades que o tornarão feliz. A mulher sonhadora que nunca deixará de o ser.
Entre os meus amigos virtuais há pessoas excepcionais. De que nunca me esquecerei. Melhores que muitos dos amigos de carne e osso. Aliás, são estes os que me criaram mais dissabores nesta rede social. Fazem de conta que não se lembram, escondem os filhos, não dizem nada, desamigam-nos. E depois, a decepção: não são iguais ao que já foram, aquilo que lhes dava graça hoje percebe-se ser causado pela esquizofrenia ou, noutros casos, pela amargura a que a vida os conduziu.
Em seguida, as mulheres do Facebook. Pronto, lá vem ele com o tema do costume, pensam todos. E nada disto é verdade. Eu gosto é de pessoas. Sejam de que sexo forem.
Claro que gosto mais das mulheres. Mas eu não tenho culpa. A verdade é que são mais bonitas, mais caprichosas, mais desafiadoras, andam de uma forma que nem ao diabo lembraria… E as saias a esvoaçarem por entre as pernas, os cabelos a serem puxados para a frente e logo de seguida, de uma vez só, a regressarem ao sítio de sempre, levados por um vento que só as mulheres possuem. Sem que saibam o poder que lhes pertence quando mexem com os dedos nos cabelos. Raios as partam.
E agora a verdade de Platão e a minha também. Preparem-se. Nunca me encontrei com alguém que tivesse conhecido no Facebook, não utilizo os chats de conversação, conheço as pessoas apenas através das fotografias. Não respondo às mensagens, nem aos pedidos de aconselhamento.
Tenho-o dito várias vezes: quando quiserem entrar em contacto comigo devem falar com a minha assistente, a D. Lurdinhas. Muitas zangas têm resultado disto mesmo. E eu não sei ser de outra forma. Aliás, quem me conhece sabe da dificuldade que sempre me caracterizou em demonstrar o que sinto.
Eu gosto é das pessoas, já o disse. Na escola detestava estudar matérias que não tivessem directamente a ver com o ser humano. Por isso é que tento resolver os problemas dos homens e das mulheres. Mesmo que esses dilemas sejam do meu conhecimento apenas através do Facebook. A resposta vem depois. Superado um mal d’amor de uma mulher, por exemplo, o marido bloqueia-me ou cria um perfil conjunto com a dita ou ameaça-me através de mensagem.
Tenho passado por tantas coisas. Esquecendo-se os homens que controlar as páginas das suas mulheres é um erro crasso. Por três razões: porque sofrem desnecessariamente, porque todos temos direito a um tempo e a um espaço só nosso – por mais limitado que seja –, e também porque não serve de nada. Pode controlar-se algumas coisas. Menos o pensamento.
Mesmo assim vale a pena o Facebook. Há apenas uma coisa que não perdoo ao Sr. Zuckerberg: o algoritmo que escolhe por nós as pessoas, os dizeres, os textos, as notícias. Com consequências bem desagradáveis. Muitos dos que me acompanham nesta estrada virtual desaparecem durante meses e meses, são substituídos por outros que a fórmula matemática acredita serem mais do meu agrado. Controlam-me ou tentam controlar-me. E disso não gosto mesmo nada. Ouviu, senhor do livro na cara? Eu quero apenas continuar a estudar e a amar aqueles que comigo por aqui andam.

domingo, 12 de março de 2017

Outra vez Viana


Viana, finalmente Viana. Quantas saudades! Vão ser apenas algumas horas mas vividas com emoção. Sem que ninguém saiba. Haverá apenas sessão de selfies entre as 7 horas e as 7 horas e cinco minutos da manhã na Praça da República. Nada de visitas às IPSS, ao Bispo, às bolas de Berlim ou às empadas de lampreia do Manuel Natário. Em todo o tempo, só eu e o mar. E a Teodora Cardoso. Vão ser momentos Zen. De paz total. Por isso é que é importante que não seja do conhecimento público este meu reencontro com Viana. Se eu quisesse que se soubesse publicava a notícia no Facebook.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Agora é a vez dos homens


Hoje comemora-se um dos 364 dias do Homem. Magro reconhecimento da dificuldade de o ser nos dias de hoje. A deusa não quer saber e o escravo tem vergonha de dizer o que lhe vai na alma em público. Além de que lhe falta tempo. Tem de agradar a todos sem parar. E de assinar as contas, os contratos, os processos judiciais, as notas dos filhos que estudam na Católica (a tal que só reconhece a existência legal do pai). Passa tardes na Zara com um calor do deserto -- o suor a cair-lhe pelo rosto -- a acompanhar a mulher nas compras, ao mesmo tempo que lhe ouve as queixas da Tita, da Kika, da Mimi. Manifesta interesse em ver a biografia de Tolstoi e ela a querer assistir ao jogo do Benfica na Sport TV. E depois a conversa do costume, temos de falar mais vezes do que eu gosto na cama, já não gostas de mim, um dia isto vai acabar mal. As ligas a quererem dar um sinal da sua graça debaixo do robe e a Teodora Cardoso a falar na televisão. O telefone toca, querem vender colchões mas só aceitam falar com o homem da casa. O corpo a pedir cama que o dia de amanhã é extenuante. Aturar o chefe, penetrar a intimidade que as pernas da colega Júlia ajudam a encontrar, fazer o cunnilingus à vizinha do 3* esquerdo antes do jantar. À noite assistir ao debate sobre os erros daquelas azémolas dos árbitros do Benfica-Torres Vedras, visitar por volta das três da manhã os aposentos da Lurdes, a empregada da casa que espera furiosa pelo senhor desde a meia-noite e um quarto, acabar de preencher a auto-avaliação que ficou de entregar no departamento de recursos humanos. 
Tem de ser aprovada a sua prestação profissional assim como a sua performance sexual. Que diria a Teresa e a sua amiga Michelle quando amanhã se encontrar com elas e o desempenho resultar em algo que não corresponda aos mínimos olímpicos. Não que as mulheres não são como os homens. Não se calam. Contam tudo. Destroem o prestígio de um macho em dois tempos. São mais discretos os técnicos do departamento de recursos humanos. Malvadas das mulheres. Os homens têm de estar sempre prontos. Quer queiram quer não. Em pé é a posição natural daquele que usa fato e gravata e tem de lutar pela defesa da honra da mulher e dos filhos. 364 são poucos dias.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A senhora deputada


Estou numa sessão pública a ouvir uma senhora deputada como oradora principal. Conheço-a há muitos anos. Destacava-se pela beleza e pela serenidade que transmitia. Viajamos no mesmo automóvel muitas vezes. Protagonizou a história de amor mais bonita de que fui testemunha.

Hoje olho para ela e confirma-se a minha sensação de repugnância, de desdém consciente. Escrevi um dia que não acredito na amizade. As pessoas transformam-se, são máscaras estranhas daquilo que um dia foram. Principalmente se entretanto se tornarem representantes da nação. E salvo honrosas excepções ser deputado vale muito pouco.
Às vezes a vida é uma tristeza.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Isabel Moreira


Primeiro que tudo tem um pai admirável… Que a olha com um misto de respeito intelectual e de enternecimento. E que sorri perante as aventuras sem dono da Isabel. A trote ou a galope desenfreado. 
Poucos portugueses a conhecem verdadeiramente. Elegante, caprichosa no vestir, é dona de uma sensualidade rara. Gosta de homens que gostam de mulheres que gostam de homens. Tem bom bosto a Isabel. Quase tanto quanto eu quando a escolhi como amiga.

Photo by Lux Woman

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ana Moura e o amor




Finalmente resolveste seguir o meu conselho e namorares. Ninguém pode falar de amor sem o viver. Depois do insucesso com o Márcio Silva, das tentativas mal sucedidas dos marialvas Ruben Alves e José Eduardo Agualusa, só mesmo o Ruben da Cruz poderia mostrar-te as estrelas à noite, deitados de mão dada na praia, a verem chegar as andorinhas e a Primavera. 
Dizes que estás apaixonada há um mês. Que bom um período de tempo tão longo. É necessário conhecermos aqueles a quem autorizamos que a nossa gata se aninhe no seu colo. Entretanto vai aos treinos. E continua a cantar como só tu o sabes fazer. Lá para Abril, então, embarcas em mim.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Luís Marques Mendes


Não resisto em dizer: Marques Mendes em termos de altura dá-me pelo cotovelo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu e as escadas (No dia dos namorados)


A minha relação com as escadas sempre foi muito própria. Nunca achei que fossem degraus que nos levam a um qualquer apartamento. Para mim são leito de amor. Ou então sítio de transgressão aplainado pela paixão. Por isso é que toda a minha vida está ligada às escadas.

–  Lembras-te do nosso primeiro beijo? Tu um degrau abaixo do meu. Com os olhos de mulher jovem pronta para o amor. Eu, malandro de tanto saber, a dizer para subires o degrau. Até ficarmos no mesmo plano. Quer dizer, mais ou menos. Eu filósofo encartado e tu candidata a estudante de jornalismo.

E o beijo aconteceu. Os lábios pareciam carne aveludada que só o amor sabe distinguir. Tão intenso foi esse beijo que dele nasceram vários filhos.

E agora, voltarão eles às escadas, mais tarde, quando forem à busca do amor? Por mim, a reposta é muito clara. Para subirem ao 7º andar do prédio, utilizem o elevador, a Magirus, o helicóptero.

As escadas estão reservadas aos pais. Para sempre. Da mesma forma que da primeira vez.

Quanto aos filhos... tenho tanto medo do amor dos filhos. Porque esse sentimento tanto pode doer como pode embriagar-nos de felicidade. Mas o amor é isto mesmo. Eu sei. E eles são belos e inteligentes.

Não preciso por isso de me preocupar. Basta estar atento e de cartucheira debaixo do braço. O resto, o resto é a vida. Que pertence por dever e direito a cada um.

Feliz dia dos namorados, meus amores.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

O amor, esse sentimento estranho...


Não há nada melhor que um amor feliz. Tudo se torna mais bonito, parece que vivemos noutra dimensão. O que está à nossa volta é relativizado, Trump é um indivíduo sem importância e a União Europeia pode acabar amanhã que ficamos na mesma.

O problema é quando não somos felizes no amor. Ou porque não somos correspondidos, ou porque não encontramos a pessoa certa. Aí pensamos uma vez mais na inutilidade de tal sentimento e de como viveríamos melhor se ele não existisse. Amava-se meio-dia, uma ou outra vez às cinco da tarde, vá lá, de quando em quando, uma noite inteira.

Vem isto a propósito daquilo que se está a passar com o meu amigo de adolescência Vítor Antunes (o da fotografia) adorado pelas mulheres daquele tempo -- logo a seguir a mim. Foi abandonado pelo seu amor. E sente-se terrivelmente só.

O Vítor é um alto quadro numa empresa londrina, propriedade de um excêntrico escocês, de nome Ian Wallace, que faz questão de vestir o kilt nas festas promovidas pelos colaboradores da sede.

Este meu amigo vive em paixão avassaladora no apartamento que divide com o seu namorado, o também português Zé D'Orey, que por sua vez é assistente pessoal do empresário escocês.

Na semana passada, naquela que estava aprazada ser a semana das arrumações do apartamento por parte do Zé, o malandro do amor pôs-se a andar para a mansão do homem do kilt.

Que não aguentava mais a recusa do sentimento e, ainda por cima, o Wallace tinha um filho adoptivo, justificou uns dias depois o D'Orey.

Neste momento o Vítor Antunes está só, vive a fase do nojo, e tudo isto faz-me muita impressão por, entre outras razões, a nossa amizade ser tão antiga quanto os nossos sonhos de felicidade futura. Coragem, Vítor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Mulher velha - Mulher nova


"Pernas de criança sem roupa decente a cobri-las. Que vergonha! Podes bem roer as unhas todas que vais ter muito que esperar. A esta hora está com outra. Se eu no meu tempo esperava por alguém... Substituía-o logo por outro. Sim porque se há coisa que não me faltava eram homens. Bonitos, com bons cargos, gente de categoria. Também é verdade que era muito mais interessante que esta aqui. As minhas pernas à beira das dela... Coitada... Ainda hoje... O quê? Não acreditas? Cabra. Sabes lá tu. Vivi tudo a que tinha direito. Dormi com quem quis. Comiam na minha mão. São tão tontos os homens. Havia um ou outro... Mas agora não há nada parecido. Não valem nada. Tens muito para aprender, pequena. Vai-te embora que ele não presta. E veste alguma coisa decente. Ai se eu tivesse outra vez dezanove anos...!"


Photo by Henri Cartier-Bresson

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Para os meus alunos do 1º ano de comunicação


O trabalho de pivô das notícias sempre me impressionou. Atenção, 10 segundos, 5, o rosto coberto de creme pegajoso, 3, só os olhos e os lábios escapam à alvura imposta pelas luzes, 1, boa noite, Donald Trump fala com Bill Gates para que a internet seja interrompida por tempo indeterminado.
Como é que se chama a pivô? Não me lembro, mas isso agora não interessa nada. Theresa May garante que o Brexit é para levar adiante, uma granada explode em Ancara e mata 13 pessoas, engraçado parece que ela está a olhar para mim, não pode ser, ela não me vê.
Passam imagens de Ancara. Quando é que ela vem outra vez? Aí está. E continua a olhar de forma voluptuosa. Não. O Trump tramou isto tudo. Confirmo com um piscar de olhos. Nada. Nenhuma resposta da Ana Patrícia Carvalho. Mas eu iria jurar que...
Levanta-se agora. Aponta para as primeiras páginas dos jornais. Não vejo uma sequer. Só vejo a ela.
Um dia vou ao Barreiro, à terra da pivô tirar as dúvidas, digo para comigo sabendo que nunca o farei.
Acho melhor deitar-me e voltar à realidade. Pode ser que amanhã ponham a Teodora Cardoso ou a Ana Avoila a ler as notícias. Só assim saberei o que se passa no mundo.
Pego no telecomando para desligar a televisão quando ouço a Patrícia a despedir-se dos telespectadores e... num tom pausado... sensual... sem ponta de dúvida: "uma boa noite especial para o Sérgio Barros e Barros a quem convido para jantar comigo amanhã à noite no Altis Belém Hotel".
Não dormi, não comi até ao pôr-do-sol do dia seguinte.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As prendas e os professores


Agora negam! Claro, iam dizer que sim, queres ver... Enfim, depois dos médicos, os professores. As classes privilegiadas no seu melhor. Já estou mesmo a ver as prendas dadas pelas editoras aos docentes: canetas Montblanc a rodos, rave parties em Ibiza, fins de semana com festas de gala na Villa La Vedetta, em Florença, e por aí fora. Fala-se mesmo à boca pequena de um casal de professores da Escola C+S de Arruda dos Vinhos, que foi convidado para estar presente esta sexta-feira na cerimónia da tomada de posse do Presidente Trump, com direito, além do mais, a participar num dos muitos bailes comemorativos daquele evento. Tudo porque o tal casal conseguiu adoptar na turma do 7º B, na disciplina de Francês, o manual Vive la France. Uma vergonha!

domingo, 15 de janeiro de 2017

A propósito do congresso dos jornalistas


Tanta vacuidade, tanta vaidade, tanta camisa de xadrez e bolsa a tiracolo – a farda da profissão que se remata com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado – circularam por estes dias no congresso dos jornalistas. E protestos, muitos protestos. Contra os outros, claro. Nunca assumindo os próprios erros.
São as redes sociais e os energúmenos que as frequentam, consumidores acríticos da não-verdade. Dois erros imensos de avaliação: a comunicação digital trouxe possibilidades novas nunca sonhadas e que não a estão ser devidamente aproveitadas pelo modelo de negócio da comunicação social; por outro lado, o público consumidor de informação é completamente diferente do de há três décadas atrás: muito mais culto, mais exigente. Escreve bem, por vezes melhor que o jornalista profissional, frequentou cursos universitários exigentes.
Quer isto dizer que o jornalismo profissional tem os dias contados? Claro que não, bem pelo contrário. Tem é de evoluir em dois campos aparentemente contraditórios mas que acabam por se complementar: a velocidade da notícia e o enquadramento esclarecidos dos factos. E isto na mesma plataforma noticiosa, seja digital ou impressa. Sim, digital também, essa ideia de que os textos mais sérios ou mais extensos não têm lugar nas novas tecnologias informativas tem sido um erro trágico.
O leitor actual mudou tanto ou mais que o mundo actual. Já não lê no mesmo sítio todos os dias, às mesmas horas. Fá-lo a qualquer momento – em viagem, em ócio, durante o trabalho, em resposta a uma questão momentânea. Sem com isso admitir qualquer desvalorização da qualidade informativa. Sabe é diferenciar, conforme dissemos já, a mera notícia da mundividência que a envolve.
E consulta a informação não nos sites noticiosos mas nas aplicações para smartphones, ao contrário do que quase todos pensam.
O sucesso de casos como o Observador ou El Español (ideologias políticas aparte) constitui os primeiros passos de algo que vai necessariamente desenvolver-se.
E a imprensa publicada? Terá sempre lugar, agora mais dedicada a públicos-nicho, com o desenvolvimento e investigação dos temas em análise mais assumido, com o design e a qualidade das fotografias objecto de um investimento diferente.
O resto é lamúria, ignorância, desculpabilização à custa dos que não têm culpa. E, já agora, mudem a forma de estar e reduzam essa atávica vaidade. Em verdade não a merecem.

Francisco Sérgio de Barros e Barros
Carteira de jornalista TE-2

Foto: Meios & Publicidade


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Morreu um aluno


Da morte o que nos separa é algo muito ténue. Por vezes quase nada. Entra-se no carro do pai depois de um dia de aulas, percorre-se caminho em direcção à nossa casa, vem uma carrinha em sentido contrário ao nosso e… é a morte que nos abraça, leva-nos com ela, deixa um vazio nos outros que dói, fere. É pérfida a morte. Principalmente quando se tem 17 anos, rosto de modelo fotográfico, uma vida para amar. O Emanuel Veiga, aluno do Liceu de Bragança, não merecia isto. Nem ele nem os outros que com ele sonhavam os dias que vêm aí. Resta-nos mantê-lo vivo na nossa memória, nas festas que fizermos, nas conversas que mantivermos daqui a 30 anos, na cidade de Bragança que soubermos construir. Juntos a ele. Sempre.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Falta a Julia Roberts



Estou numa esplanada onde o ser mais interessante que aqui está é um fabuloso cão. Não está mal mas não era bem isto que eu esperava.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Adeus Mário Soares


Mário Soares morreu hoje. A notícia era esperada há algum tempo. Estávamos por isso todos preparados para ela. Mas mesmo assim custa. Não era uma pessoa qualquer. Muitos não saberão mas tempos houve em que do nosso país os estrangeiros conheciam a Amália, o Eusébio e o Mário Soares. Entre a geração de políticos de excepção que a Europa teve – sim, um dia teve, parece incrível! – constam nomes como François Miterrand, Willy Brandt, Olof Palme, Hans-Dietrich Genscher, Felipe Gonzalez, Helmut Schmidt, Helmut Kohl, Jacques Delors e, claro, Mário Soares.
Mas não é disso que vou falar hoje. Fica prometido para outros espaços de reflexão. Vou antes dar-vos conta da memória pessoal que guardo dele.
Importa dizer que desde muito cedo gostei de política. Lembro-me de criança ainda recusar o gesto afetuoso de Américo Tomás ao querer fazer-me uma carícia na testa, num jantar faustoso, depois de ter chegado no Rolls-Royce da Presidência; de integrar-me, alguns anos mais tarde, na fila que na Sexta-Feira à noite esperava pela edição do semanário Jornal (era eu o mais jovem dos clientes); de ler o Expresso de uma ponta à outra (anúncios de emprego incluídos).
De Mário Soares recordo-me da 1ª vez que estive com ele. Só não levava calções porque nunca mais os usei desde os oito anos de idade. Abeirei-me dele, o meu herói político, não me lembro se consegui dizer coisa alguma, cumprimentei-o e… não, não leiam mais aqueles que não gostam dele... desejo-vos um tempo feliz na companhia da TVI… sejam vocês mesmo segundo os mandamentos do Reiki… cheirei as mãos... e lá estava ele… um perfume beatífico, dos Champs-Elysés, quase-terreno, quase-celestial.
E depois as gravatas. De um bom-gosto irrepreensível. Os fatos feitos à medida num corpo que ultrapassava as coordenadas dos dietistas mas que a altura acima da média ajudava a disfarçarem.
E que valia isso perante a verbe de Mário Soares? Como jornalista acompanhei algumas vezes congressos, acções de incentivo dirigidos à actividade empresarial. Escusado será dizer que havia sempre indivíduos preparados para zurzir no político – a grande maioria regressados das antigas colónias e zangados com tudo e com todos.
Mário Soares entrava nos anfiteatros com o seu passo largo, o sorriso confiante no rosto e a inigualável desenvoltura pronta a actuar.
Algum tempo depois, a bonomia posta em acção, um interesse genuíno naquilo que os outros diziam, a última palavra escolhida a preceito, e era vê-los juntos, braços nos ombros, irmanados na ideia de progresso e de investimento.
É com muita emoção que escrevo hoje sobre Mário Soares, o homem que mais me influenciou politicamente. Vivemos na actualidade outros tempos, políticas novas. Dizem que pertencem à era da pós-verdade. Pode ser que sim. Mas uma coisa não faça o possível eleitor nunca: não se deixe representar por políticos que não saibam juntar o exercício político à cultura, seja ela livresca, científica ou artística. Mário Soares é o exemplo perpétuo disto mesmo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Ano Novo


Ei...!! Você aí... O que se passa consigo!?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A política portuguesa e os seus protagonistas


Em tempo de balanço de ano, importa chamar a atenção para algo que não tem sido referido: a qualidade dos dirigentes actuais da política portuguesa.
O que aliás é algo muito raro. Nem sequer é cíclico. Desde Mário Soares que a excelência não integrava o exercício político. Com algumas asneiras pelo meio, é certo. Mas, no geral, a tríade de homens que nos representa no poder tem feito um trabalho meritório.

domingo, 25 de dezembro de 2016

George Michael


Os sons que marcaram a nossa vida estão pouco a pouco a desaparecer. Precisam de ser substituídos, se possível com mulheres de igual calibre a embelezar os vídeos promocionais.
Adeus George Michael. Queremos outro George Michael com a mesma manequim a desfilar na passerelle transportando os retrovisores de lei no corpo que quase parecia roupa. 
Entretanto, que se está a passar com os nossos contextos de vida?

Natal é isto


Recordar e voltar a ser. Por momentos que seja. Uma vez mais. De forma dolorosa ou não. Mas remisturando os dados. Percebendo de maneira diferente. E, principalmente, preservando-nos. O que passou não volta mais. Pode acontecer parecido mas nunca igual. Até porque não somos iguais para sempre. A pessoa alegre de ontem pode ser hoje um degradante retrato de si mesma. Merecendo o nosso amor ou não.
Uma coisa é certa: não se ama alguém por acaso. Por isso é que é difícil encontrar quem mexa connosco. Que nos convoque de corpo inteiro e de espírito. Por ser um sentimento tão selectivo nunca acreditei no fim do amor. Pode esmorecer, ficar entre parêntesis, esquecido até. Mas está lá. E capaz de voltar a nascer mais rápido que um semáforo vermelho que passa a verde.
Cumprindo-se desta forma o Natal, a Páscoa, o primeiro dia de férias, a celebração da Restauração, agora.
Marina Abramovic, Ulay, Leonard Cohen, Marianne Ihlen sabiam e sabem disto.

sábado, 24 de dezembro de 2016

É Natal


 – É agora que apanho o tipo que escreve neste blogue. Deve estar a chegar para passar o Natal com a família.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Um bocado de compostura, meus senhores

No dia em que se comemora a restauração da independência frente aos interesses imperialistas espanhóis, sendo eu desde muito pequeno adverso à forma de ser do povo que insistia (e subliminarmente continua) em querer incluir Portugal no mapa do seu país, ainda assim pergunto, porque não entendo, e ninguém explica de forma plausível, a atitude vergonhosa do Bloco de Esquerda no Parlamento. 
 Ou justificam como deve ser ou então fico à espera que sejam as primeiras vítimas da lei que querem fazer aprovar, a da eutanásia. Com urgência, por favor.

Foto SIC

sábado, 12 de novembro de 2016

Reportagem do dia com a Lúcia de Jesus Purificação dos Santos


Têm razão, minhas amigas. Foi o típico momento de fraqueza dos noivos. Pensei melhor no caso, recorri aos meus companheiros de sempre — Heidegger, Levinas, Kierkegaard — e encontrei a resposta às minhas dúvidas na teoria da relatividade de Einstein: o facto de haver tanta gente a gostar de comer caracóis, não significa que eu tenha de tolerar o malfadado petisco.
E foi assim que me decidi pela Lúcia. Passamos o dia de ontem a passear. Os dois, de mão dada. Fomos visitar o MAAT, o Museu dos Coches e espreitamos o restaurante da Fundação Champalimaud.
De seguida fizemos jus ao dia e comemos castanhas em frente ao Tejo. Foi lindo. Ainda tentamos visitar a Torre de Belém mas estavam doze pessoas à nossa frente na fila de espera e a Lúcia — com o seu bom senso — achou que seria coisa para demorar muito tempo. 
Além disso ela estava cheia de pressa para irmos rezar o terço no hostel. A devoção acima de todas as coisas. 
Para hoje, a Lúcia já escolheu o programa: vai ser Tuk-Tuk o dia todo. Compreende-se — é a 1ª vez dela. Será uma viagem idílica pelas sete colinas de Lisboa. Estou certo disso.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Numa relação nova?


O autor deste blogue está a pensar seriamente em começar uma relação com Lúcia de Jesus Purificação dos Santos, mulher de muitas virtudes e inteligência ímpar, mesmo que contrariando o conselho da maioria dos seus amigos.
A verdade é que a Lúcia é uma verdadeira santa – ouve tudo e não se queixa.
Nos próximos dias será anunciada aos leitores a decisão tomada.

Leonard Cohen


Morreu Leonard Cohen. Mais que um cantor de melodias, era um diseur e, principalmente, um poeta. Esteta por imperativo, gostava verdadeiramente de mulheres que gostavam de homens. O caso de amor com a bela norueguesa é exemplo disto mesmo. O chapéu, o gesto ensaiado, a postura de gentleman compunham a personagem. E o ritmo que se voltava uma e outra vez sobre si mesmo numa valsa interminável nas noites de espectáculo. Os nossos corpos percebiam que era a vida e o amor que se estavam a celebrar, choravam e riam e nós parecíamos embriagados de felicidade. Obrigado Leonard.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cão avisado


"...pesando analiticamente os prós e contras da situação, acho que tudo isto está uma merda."

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Ana Moura



Eu avisei-te, Ana. É a segunda vez que vens cantar à rua onde vivo e nem um bilhete sobrou para mim. A máfia romena e a Mossad esgotaram a sala de espectáculos. 
 De qualquer forma valeu a pena o almoço n'O Abel, de que gostas tanto, a fotografia de ti bonita e a mensagem "embarca em mim" que me prometeste para depois do espectáculo. 
Cuidado com o público de logo à noite. Beijo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Para os meus alunos de psicologia


Andava eu a estudar na faculdade quando um dia recebi um telefonema anónimo. Do outro lado da linha uma mulher jovem dizia-me: "tens a mania que és bom, mas é isso que te torna interessante". 
A moral da história é simples: quanta mais segurança demonstrarmos melhor estamos (mesmo que por dentro a mentira momentânea tome conta de nós).

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Capitão Henrique de Barros faz hoje 9 anos




 1 - A 1ª fotografia está reproduzida numa tela que cobre uma das janelas exteriores do Museu do Traje em Viana. Gosto tanto dela que sempre que tenho oportunidade explico-a aos meus filhos: Estão a ver aquele menino? É o último Rei de Portugal, D. Manuel II, que está no colo da sua ama de leite, vestida com o traje vermelho de Viana. Deixou tudo a Portugal mesmo depois de ter morrido em Londres para onde foi obrigado a exilar-se. A assistência parece não ligar nada ao que eu digo. Sinceramente, não me importo: ainda não entendem muitas coisas, por exemplo o valor da família e da continuidade que o nascimento pressupõe. 
De tal forma o desinteresse parece ser tanto que da última vez que passamos pela janela do Rei resolvi não dizer nada: logo um coro de protestos irrompeu naquele entardecer de Verão. Então e o D. Manuel II e a ama? E os marotos em coro a gritarem a minha ladainha de sempre. Na 3* imagem explico melhor o burlesco da situação.
 
 2 - Esta foto foi captado no dia em que o meu filho aniversariante foi promovido a capitão. A alegria e orgulho foram de tal ordem que logo quis pôr gravata e usar os os óculos de sol quase obrigatórios entre os militares nos anos 1970. A bem-aventurança foi geral na família habituada a ter nas suas fileiras poetas, padres, políticos e raros militares. O Henrique capitão dos lobitos do Corpo Nacional de Escutas! É obra, meu filho, principalmente se tivermos em conta o facto, conforme se explica na 3* imagem, que havias entrado nos escuteiros uma semana antes. 

 3 - Quanto à 3ª imagem, 3ª imagem... 3ª imagem... 3ª... Não vou dizer nada. Não me apetece. 
Um beijo de muito amor para o meu filho e senhor Henrique de Barros,
do Conde de Viana, seu Pai. 


 (É assim que insistem em chamar-me nas terras onde vivemos agora e onde fomos recebidos com galhardia por estas boas gentes)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Ao meu pai


O meu pai faz hoje anos. Faz ele e a Praça da República, o Café-Bar, as mulheres de Viana, os jornais de todo o país, as tardes de Outono, Ponte de Lima, Caminha, Arcos de Valdevez. E as tertúlias dos homens importantes de Viana, dos jornalistas, dos políticos, dos polemistas d'antanho. E a vida social da cidade toda, com os automóveis a circularem na Praça, as ondas de modernidade e desfaçatez formadas nas noites de Vilar de Mouros a quebrarem-se de encontro à foz, os torneios de mini-golfe de Vizela com os homens que mandavam no norte do país, as noites do Hotel do Pinhal, do Casino da Póvoa. E os escritores a ficarem mais velhos, os colegas dos jornais a morrerem como tordos a cair das árvores, e os amigos que se juntavam para colar os endereços d'O Vianense a fazerem viagens cada vez mais longas, contratadas na agência Turilis. E os netos a chegarem e a crescerem e os primeiros a irem estudar para Coimbra e Londres. E eu. No meio do rio. Entre uma margem e outra. A continuar o teu gosto de escrever e de observar os outros. E a ter orgulho de ser de Viana como tu. E a não ser mau tipo – penso eu. Alguns dizem que tenho um coração grande. Se assim for não será a escrita apenas a aproximarmo-nos. Será também a esplanada, o beijo genuíno da Rosa Ramalho e da Capitolina Amaral Pessoa, a palavra dita no momento e no contexto certos – que aprendemos com Jorge Amado e todos os outros, a vontade de dar a mão ao mais indefeso dos homens. 
 Eu e tu. Outra vez a fazeres anos. Eu deixei de os fazer aos 23.
Por isso é que hoje só tenho a idade que quiser ter e estou ao teu lado e do Severino Costa e do Alberto Couto e do Oliveira e Silva sentados à mesa do Café-Bar. 
Parabéns.

sábado, 8 de outubro de 2016

Em Directo


Em pleno Douro, na Quinta Dona Francisca, as vindimas decorrem a bom ritmo. O Verão prolongado ajudou à maturação das uvas, razão pela qual se acalentam expectativas positivas acerca da qualidade do vinho deste ano. 
Já quanto à quantidade, não há dúvidas: a colheita fica marcada por um decréscimo na produção. 
 Esta tarde, não obstante o calor que se faz sentir, vive-se um bom ambiente entre os vindimadores.
Mais tarde, na adega, vão pisar-se as uvas. "Se for preciso pisamos as uvas a noite toda", afirmaram à nossa reportagem. 
Que trabalheira!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

António Guterres


Num país marcado pelo mediocridade dos seus políticos ouvir alguém com responsabilidades hierárquicas singulares dizer "Ele é o melhor de todos nós", constitui facto assinalável. 
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou-o de António Guterres – a quem conhece desde sempre – com genuína sinceridade. O que só o enobrece. Depois de vários anos a sermos governados por homens demasiadamente comuns, com preparação académica duvidosa, sem mundividência estruturada, aquelas palavras ganham uma relevância especial. Porque se referem a dois homens diferentes dos outros. Ao que disse de quem o disse. Principalmente num Portugal que ainda não percebeu Guterres. Que o continua a desprezar por não ser igual. Por atrever-se a sonhar e a construir a estratégia para realizar o que os outros não acreditam. E a ser desprendido em relação ao poder. Ao mesmo tempo que se retira do convívio dos que não lhe merecem consideração especial mas sem disso fazer alarido ou declarado desprezo. Pode ser que faça escola a sua forma de estar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Matilde de Barros


Quatro apontamentos muito rápidos em dia do aniversário dos teus 16 anos:

1 - Felizmente que não te lembrarás, mas os dias em que me tinha de despedir de ti, tu parada no passeio, bonita e pequena, com um casaco de pêlo castanho e os olhos inquietos e fundos no teu rosto, são facadas que a sociedade em movimento espetou durante um tempo no meu peito. 
2 - Não existe a amizade. Existe o amor. Um dia explico-te melhor isto. Mas e os amigos que eu tenho? Se tens um forte sentimento por eles, então, minha filha, isso é amor. É algo de muito mais forte que a chamada amizade (embuste hipócrita que alguns insistem em confundir). E a este nível pode amar-se o homem do talho, a colega da carteira ao lado, a cabeleireira que gosta de nós, a médica que nos acompanha desde sempre.
 
3 - Mas e aquele, o tal rapaz? Também é amor o que sinto por ele, não é? Sim, Matilde. Mas não te esqueças: Em média (investigada por mim), os homens e as mulheres apaixonam-se entre 11 a 2363 vezes por vida. Os padres apenas entre 33 a 62 vezes. E nalgumas ocasiões somos felizes no amor, noutras nem tanto. Sendo que em muitas alturas aqueles que nos menosprezaram andam mais tarde o tempo todo atrás de nós. Mesmo que os enxotemos. É tão difícil o amor. O melhor é vivê-lo no momento. Até um dia...

4 - Por último, um pedido: quando um dia tivermos de nos despedir outra vez, em pleno século XXII, veste o casaco de pêlo castanho e os olhos fundos no teu rosto. Nessa altura sorrirei olhando como se fosse a primeira vez a tua beleza e a tua bondade em seres minha filha. 

Parabéns, Matilde. 


(Escrito à pressa e com pressa)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Teodora, meu amor


Periquete orgamástico da Teodora.