terça-feira, 14 de abril de 2020
Ser do Norte é ser menos educado, segundo a TVI
domingo, 12 de abril de 2020
A Páscoa, a quarentena e eu
segunda-feira, 6 de abril de 2020
domingo, 29 de março de 2020
A esplanada vazia
segunda-feira, 23 de março de 2020
Oliveira Martins e os portugueses
sábado, 7 de março de 2020
Homens complicados
De um modo mais ou menos sofisticado respondo o mesmo, desde muito jovem, às mulheres lavadas em lágrimas: “Escolheste o mais complicado dos homens, agora choras, claro...”, “Ah mas os outros não me acrescentavam nada, só queriam comida na mesa e os telefonemas da mãezinha”, “Ok, mas devias saber que os mais interessantes causam sobressaltos permanentes”, “Sim, mas eu prefiro sofrer a ver o mesmo programa de televisão todas as noites.” “Ai é? Então acho melhor arranjares alguém que ande à tua volta... e se um dia ele vier a ter ciúmes podes manter a esperança de ele vir a ser teu... se não, esquece-o, ele que abra as asas e voe.”
sexta-feira, 6 de março de 2020
Em busca da tranquilidade
quinta-feira, 5 de março de 2020
À espera
Na sala de espera um grupo de pessoas sem idade. E sem vida também. Duas mulheres falam sem parar. Os outros não pensam em nada. Estão tão anestesiados como os familiares que logo depois das portas brancas estão a ser operados.
No resto — no mar, nos dias de praia, nos fins de tarde de trabalho amaciados no Tekas Bar, na casa alugada com os filhos quando nasceram — tudo parecia ser infinito, e nós espécies de uma realidade transcendente, só nossa.
Até que o maldito diagnóstico apareceu numa tarde de Inverno. De muita chuva. E eu quase a morrer naquele momento. E a Patrícia a dar-me a mão tentando transmitir-me a serenidade que vinha do olhar.
Penso em tudo isto enquanto espero. A sala continua imóvel próxima do estado letal. As duas mulheres falam Um homem sentado perto de mim olha o meu telemóvel enquanto escrevo estas linhas (é o primeiro leitor deste arrazoado). Fico com a ideia de que lhe pareço um tolo. Adivinhou.
As batas brancas entram e saem empurrando aquelas portas com uma roda de vidro a parecer as dos navios.
Vejo uma enfermeira jovem que regressa da realidade atravessando a fronteira. Dirijo-me a ela. Quero saber como está a decorrer a operação. Anseio pelo momento de abraçar a Patrícia, recuperar o amor dos primeiros tempos. — Enfermeira, é capaz de me prestar uma informação?
A enfermeira sorri. Vou falar-lhe do meu amor.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Coitadinhos
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
Ainda sobre a eutanásia
A propósito do tema da eutanásia, ultimamente tão debatido na sociedade portuguesa, e em resposta a mensagens que recebi a este respeito, gostaria de aclarar o meu ponto de vista sobre dois pontos a meu ver essenciais:
1 - O exercício e o pensamento políticos têm em vista numa fase primeira e decisiva o colectivo. Só depois de se actuar em nome do bem comum é que se poderá ter em vista outros patamares de reflexão.
Assim sendo, nada nem ninguém pode desvalorizar, amputar, amesquinhar o valor de todos os valores, aquele que serve de fundamento a todos os outros. E qual é ele? O que tem em vista a inviolabilidade de todos e de cada um de nós, nos anos da vida e nos minutos da morte.
2 - Mas então a questão da auto-liberdade do homem que decide o que fazer de si não deve ser considerado? Claro que sim, embora com as condicionantes que a liberdade dos outros impõe ao horizonte das nossas possibilidades. Quer isto dizer que se a decisão individual abrir uma brecha na regularidade necessária aos interesses do bem comum, uma vez mais aquela que é obra do eu, vai subalternizar-se aos desígnios do nós.
Mas então não há lugar para a escolha individual? Há, na sentença que se espera inteligente dos agentes do Direito, na consciente utilização do testamento vital e, porque não? — na prática do segredo que a experiência de vida nos ensinou a usar.
Tudo isto sem proporcionar nesga alguma à vulgarização da vida e da morte, sem impor limites de idade para uma ou para outra, ou transferir poderes para o sistema hospitalar português, em que o autor destas linhas não confia.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
O novo desígnio nacional: a eutanásia
sábado, 25 de janeiro de 2020
Polica e futebol: essa mistura explosiva
domingo, 19 de janeiro de 2020
A morte triste do Giovani
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
Em representação permanente
Se os donos do mundo fossem sempre assim as coisas poderiam ser mais fáceis. Mas não são: é tudo mentira. Naquele bar vietnamita quase ninguém é aquilo que aparenta ser. A representação é o esteio que sustenta as paredes e a conversa dos convivas. A auto-confiança do presidente contrasta com a fragilidade do apresentador da televisão. Mas isso para já ninguém sabe. A verdade só se revelará quando o apresentador morrer enforcado num quarto de hotel em Nice. Nessa altura será preciso arranjar um novo comparsa para a mesa do Obama.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Voltou o CR7
domingo, 29 de dezembro de 2019
Balanço de final de ano
sábado, 26 de outubro de 2019
Aniversário do Henrique de Barros
Está na Amazónia e na galáxia Redshift. Entre vegetação luxuriante e terra seca. Na crista de uma onda na Praia Norte e no remanso da água do banho.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Aniversário da Maria Leonor de Barros
O amor de um pai por um filho é de um tamanho sem fim. Não se pode definir, expressar através de palavras. Ultrapassa a dimensão de racionalidade exigida pela lógica. É vida que se anula em favor de outra.
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
A mentira dos homens
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Diogo Freitas do Amaral
A vida é preenchida por momentos-chave, situações marcantes e por pessoas. Muitas pessoas. Umas que conhecemos, outras que nos habituamos a ver, a ler ou a desejar. Marcando o tempo ou os tempos. Fazendo com que o ano de de 1989 seja o ano de Tiananmen, do muro de Berlim, da Teresa e da Amélia, do Marcelo a mergulhar no Tejo.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
A imagem de mim
Não, não é verdade: aqueles que me acham pretensioso na escolha que faço dos outros estão perfeitamente enganados. E isto é ainda mais verdade se o critério depender de gostarem ou não de mim. Desde sempre relativizei a forma como me olham; ou como falam de mim. Nem sei bem porquê. Até porque em termos racionais há apenas duas justificações para tanto, sem que ambas se me apliquem de modo integral: uma refere-se à alta conta em que alguém se tem — o que não é por certo o meu caso; a outra tem a ver com a sabedoria que a maturidade nos traz, a de ser capaz de relativizar os defeitos de tudo o que nos envolve, na certeza de que nada é perfeito.
Talvez que este juízo, reconheço-o, tenha a ver comigo. Mas desde sempre. Jovem ainda já o descobria na fala dos que comigo repartiam os lugares da esplanada. E sorria de superioridade avisada perante a fraqueza dos outros. Coitados de serem assim.
Claro que esta minha contemporização com a fraqueza dos demais tem limites de amplitude. Quando a vontade de ser melhor do que efectivamente se é atinge o plano da maldade, ferindo-me naquilo que o mundo todo sabe ser inexpugnável em mim, bem... aí... é o oceano atlântico a nado a separar-nos. Para nunca mais.
O cinismo que me caracteriza toma então conta do palco.
Mas nada disto tem a ver com os meus amigos leitores. Muito menos com as mulheres, claro.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Aniversário da Dona Lurdinhas
A Dona Lurdinhas faz hoje anos. É virgem, portanto. Mulher boa, angelical mesmo, dedicou os seus 42 anos de vida ao trabalho. Talvez para esquecer o desgosto que um amor adolescente lhe provocou. Sete meses de internamento, duas semanas de coma, uma perna mais curta que outra para toda a vida do maldito rapaz, comprovam a intensidade do mal que a postergou. De então para cá, a serenidade. E a simpatia que os meus consultantes lhe reconhecem. Em casa ouve só Chopin, Liszt, Debussy, Frank Zappa, Beethoven. No gabinete, uma devoção inultrapassável a este vosso amigo. “Não há ninguém como o Dr. Francisco “, diz ela repetidas vezes aos clientes. Deus guarde por muitos anos a Dona Lurdinhas. Se todas as mulheres fossem tão boas quanto ela...
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
A casa de Pedro Homem de Melo
Pedro Homem de Melo. Ainda o conheci, já lá vão muitos anos. Fato completo de cor branca quando passeava em dias de festa pelas ruas de Viana, de cor cinzenta com risca branca quando fazia os programas na televisão. Cigarro entre os dedos, a lançar uma coluna de fumo embora sem nunca ser fumado. O cabelo impecável, esforçadamente penteado, apresentação cuidada — e conseguida. Ele sabia do impacto que causava. Falava com uma educação esmerada, beijava a mão das senhoras. Era um aristocrata por via do nascimento e da forma de ser.
domingo, 11 de agosto de 2019
Manhã na esplanada
A vida a sério faz-se de coisas simples, banais mesmo. É o conjunto delas que decide quem somos e o que fizemos ao longo do tempo. Sem que nos demos conta disso.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
A América é só de alguns...
quinta-feira, 20 de junho de 2019
Cinema ao ar livre
Ontem à noite fui ao cinema. Ao ar livre. Num espaço desenhado a pensar numa esplanada, mas que pode ser adaptado a muitas outras coisas. Palestras, exposições, desfiles por exemplo. Ou então à projecção de filmes.
E é aqui que entra a diferença do traço transformado em arquitectura. Da célebre escola do Porto. De Eduardo Souto de Moura, neste caso.
Fazendo de um quintal de uma casa um sítio lindo de estar, de ver, de namorar, de pensar.
E de assistir na tela à Natalie Portman a vergar-se em respeitosa homenagem ao escritor israelita Amos Oz.
Num filme de grande intensidade dramática. Envolvido pelas linhas de um traço só de Souto Moura. Soberbo. Tudo.
De tal forma que ao olhar-me na tela houve em mim um arremedo que só pode ser cómico de uma epifania: a de só agora estar preparado em termos de vida para ser escritor.
Demasiado tarde. Muito tarde. Mas não para ir à discoteca ver dançar a noite toda outra vez no éter do cinema. Pensei eu ao mesmo tempo que me dirigia rua acima ao sítio onde as mulheres dançam.


























