As discotecas por essa altura estavam com filas imensas de jovens a tentar entrar pensando que o dinheiro compra tudo. Do outro lado da barricada estavam os porteiros das casas de diversão. Idiotas de cabeça geralmente rapada e tronco de árvore milenar. É evidente que de psicologia sabiam apenas que ela se aplica nalgumas actividades de pesca, chamadas de piscícolas.
quarta-feira, 14 de março de 2018
Camisas Façonnable
segunda-feira, 12 de março de 2018
O gato
sexta-feira, 9 de março de 2018
Meu Deus
Tenho-o dito muitas vezes: gostava de acreditar numa realidade transcendente que me trouxesse conforto mas também inquietude. Na resposta aos meus limites e, principalmente, na descoberta de quem sou. Pedi a sábios da igreja que me ajudassem nessa tarefa. De nada valeu. Não consegui ouvir ninguém absolutamente outro chamar por mim. Dar-me a mão e explicar. Continuo, por isso, um ser limitado pelo tempo e pelo espaço, impossibilitado de ser mais do que isto que sou. Um ser condenado a ter um fim, um adeus até sempre. Tenho assim muita pressa. Tanta que às vezes não consigo fazer nada. Fico tolhido pela angústia de nunca o conseguir. De nada deixar que sirva de marca de mim. De escrever bem, de ser bom pai, de primar pela capacidade de perceber tudo, de deixar um sinal nos demais. Para mim a imortalidade é isso. Não no sentido de vencer o tempo. Isso seria ser religioso e isso não consigo, já o disse. Mas antes de ter sido o melhor que é possível. E a angústia reside aqui. Não deixa tempo para nada. Para pararmos para pensar. Para nos sentarmos na esplanada e olharmos.Temos de apanhar a auto-estrada e voarmos a caminho da conferência, do lançamento do nosso livro, da entrevista na televisão. Ou então de nada disto. Da mera inscrição imorredoira do nosso nome na árvore, da publicação da quadra que fizemos a São João no jornal local. Custa tanto sermos mais que a terra e a época que nos couberam em sorte. Sermos deus de nós mesmo. Maiores do que sempre fomos. Eu quero ser forte para aspirar a ser simplesmente eu. Escritor de reconhecido mérito, sábio de tanto saber sobre a vida e sobre os outros. Só. Mas isto é tanto. Seria quase ser religioso. E eu não sou. Sou apenas alguém que quer gostar de si. É isso. É esta a imortalidade possível.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Patrícia Carvalho
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
O senhor do adeus
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
O PSD e Elina Fraga
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
O tempo sem retorno
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Noite de Carnaval
domingo, 28 de janeiro de 2018
Na esplanada
Dois homens e um cão. Há muito tempo que estão a ler. Menos o cão. Parece que não sabe ler. Ninguém é capaz de identificar de onde são, o que fazem. Das suas bocas não sai uma palavra. O cão também não ladra. Assim fica difícil descobrir qual a nacionalidade do trio. Se ao menos o cão ladrasse. Uma coisa é certa: nenhum deles está aqui. Provavelmente imaginam-se no mundo traduzido em escrita nos livros de ambos. O cão, esse, deve estar a percorrer os prados verdejantes do norte da Europa. Quem o mandou não aprender a ler?
sábado, 20 de janeiro de 2018
Voltar a casa
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Conselho para os noivos
Que a felicidade combine com o ordenado mínimo de ambos, em empregos sem término definido, mais o aluguer do ninho de amor por 800 euros mensais.
sábado, 13 de janeiro de 2018
Vitória interna de Rui Rio na liderança do PSD
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Ele está no meio de nós
Avé Maria cheia de graça, dai-nos a nós o povo de Portugal, que eles precisam do mando dos tementes a Deus, Nosso Senhor, para que haja segurança, ordem e progresso no mundo, santificados os chefes daqueles que nada sabem, que têm o coração fechado para o amor aos bens materiais, e pensamento aberto à mudança e ao pecado.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Noite de fim do ano
domingo, 31 de dezembro de 2017
Uma gata aqui em casa
domingo, 17 de dezembro de 2017
O cargo de Presidente da República
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Dias de incumprimento
E pronto. Lá estou a pedir desculpas outra vez.
sábado, 25 de novembro de 2017
Dia de mim mesmo
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Galope sem freio
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Adriana
Lembro-me muito bem de ti. Há anos que não te vejo. Vinhas a minha casa, o mordomo anunciava a tua chegada e íamos logo para o quarto. Despias-te devagar e eu encostado à parede do nirvana olhava-te. As meias, sempre as meias, eras esperta, enrolava-las ao mesmo tempo que desciam as Torres Gémeas. Era nessa altura que eu entrava em casa de nós os dois, bem junto a ti, mãos nas mãos. Uma eternidade depois fechavas os olhos e eu abria os meus para ver os teus fechados. Beijava-te, então.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
O funeral dos professores
Uma grande conquista. Pouco a pouco a vida avança. Desistir na vida é desistir na morte.






















