Ainda sou do tempo em que vinha alguém da tipografia entregar as provas para o meu pai rever. Um martírio para aqueles homens que juntavam as letras, uma a uma, da mesma forma que Gutenberg ensinou.
Imagine-se o que eles enfrentavam quando os textos eram de jornalistas ou escritores conhecidos pela inesgotável necessidade de correcção. E eram muitos assim.
Quem escreve sabe bem do que falo. A frase pode sempre ser melhorada. Aquela palavra não é bem a que se pretendia.
Eça de Queirós escrevia e riscava numa ânsia de perfeição que nunca tinha fim. O Camilo, coitado, não podia dar-se a esses luxos, mas Aquilino, Pessoa, Saramago, Cardoso Pires eram alguns daqueles que punham a cabeça em água dos tipógrafos.
Talvez porque a personalidade do artista é normalmente frágil, insegura, dependente até ao extremo da opinião dos outros. Sem que alguma vez a vaidade lhes permita admitir tal condição.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Desde DOSTOEVSKY (até aos dias de hoje...!!) — A insatisfação levada ao extremo
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
Liceu de Viana
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
Guerra e paz
Esquece a guerra e junta-te aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares. Pode ser que ainda vás a tempo de ouvir por uma vez o som feito de silêncio do grande oceano.
Nesse murmúrio perceberás o que palavra alguma pode ambicionar transmitir. Mesmo que seja a tua.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
A festa
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
O Sol, a Lua e Eu
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Catarina Salgueiro Maia
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
Lisboa
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
Amélie
domingo, 23 de janeiro de 2022
Rui Rio
Foto: Jornal de Negócios
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
A vida a três
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
COMUNICADO
domingo, 26 de dezembro de 2021
Só tu me fazes grande
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Noite de Natal
Cheguei. Tarde como sempre. Os poucos transeuntes que ainda encontrei disseram-me ser hoje noite de Natal. Grande surpresa a minha: não tinha dado conta da data festiva. Vou tentar ser feliz nem que seja a despropósito.
domingo, 19 de dezembro de 2021
O belo na arte
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Ao Francisco e à Marília
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Memória emoldurada
sábado, 13 de novembro de 2021
O passado e o presente
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
Transgressão quase-trágica
Tinha acabado de entrar no café com o propósito de descansar um pouco do trabalho no jornal quando o viu sentado numa mesa perto da entrada. Era das últimas pessoas que gostaria de encontrar naquele fim de tarde.
Mas agora não havia nada a fazer: o indivíduo já o tinha visto. A única atitude a tomar era sentar nalgum lugar livre e esperar a sande e o vinho branco de sempre.
Acabou por não ficar longe do homem de ar severo e bigode farto. Corpulento como seria de esperar num polícia do esquadrão de elite, o sujeito passou a dirigir o olhar firme na direcção do jornalista. Metia respeito o tipo.
Quando atendeu a mulher dele estava o Verão a começar, e ela voluptuosa e de vestido bonito, a participar o atendimento negligente de uma sobrinha no hospital.
Nessa altura não poderia calcular que o marido fosse aquele bófia de ar assustador, ali sentado a olhar para ele, três ou quatro mesas à frente.
Nas noites de serviço policial, o escriba e a mulher do vestido despido conversavam depois de fazerem amor estendidos na cama adúltera, e ela então contava-lhe, entre outras coisas, das medalhas recebidas pelo marido em reconhecimento dos bons serviços.
Mas nada disso serviu de aviso ao repórter do Jornal Novo. E agora ali estava ele, prestes a ser estrangulado pelo polícia do corpo de elite.
O mundo deu de si quando a gabardine dos filmes de acção e o corpo que a vestia se levantaram. Os olhos do marido enganado pareciam revólveres a fumegar de tanto disparar. Deixou o dinheiro da despesa e caminhou com vagar em direcção à mesa do escriba do amor. A morte estava a chegar inadiável. O prazer do corpo da mulher do vestido bonito prestes a transformar-se em maldição.
O polícia aproximou-se, levou a mão ao bolso e foi-se embora. Saiu pela porta do café, a mesma que haveria de dar passagem, muito tempo depois, ao D. Juan lívido de medo.
Foto: Stephan Vanfleteren
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
O Presidente e o PSD
— Portugueses: a situação é difícil em todo o mundo. Na Indochina ou no Monte Estoril. Em Portugal a situação tornou-se clara: a geringonça acabou. Resta-nos esperar por uma alternativa à direita. Com Paulo Rangel? Porventura. Com Rui Rio? Com esse a minha resposta só pode ser esta — e tira da boca uma língua esticada e fina.
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
A Lenka míope
— E a Lenka? Está por aí?
— Foi lá dentro experimentar uns óculos progressivos. Com esta promoção… há que aproveitar.
— Ela tem problemas de visão?
— Não vê um tipo apaixonado como eu a um palmo de distância.



























