Pedro Homem de Melo. Ainda o conheci, já lá vão muitos anos. Fato completo de cor branca quando passeava em dias de festa pelas ruas de Viana, de cor cinzenta com risca branca quando fazia os programas na televisão. Cigarro entre os dedos, a lançar uma coluna de fumo embora sem nunca ser fumado. O cabelo impecável, esforçadamente penteado, apresentação cuidada — e conseguida. Ele sabia do impacto que causava. Falava com uma educação esmerada, beijava a mão das senhoras. Era um aristocrata por via do nascimento e da forma de ser.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
A casa de Pedro Homem de Melo
Pedro Homem de Melo. Ainda o conheci, já lá vão muitos anos. Fato completo de cor branca quando passeava em dias de festa pelas ruas de Viana, de cor cinzenta com risca branca quando fazia os programas na televisão. Cigarro entre os dedos, a lançar uma coluna de fumo embora sem nunca ser fumado. O cabelo impecável, esforçadamente penteado, apresentação cuidada — e conseguida. Ele sabia do impacto que causava. Falava com uma educação esmerada, beijava a mão das senhoras. Era um aristocrata por via do nascimento e da forma de ser.
domingo, 11 de agosto de 2019
Manhã na esplanada
A vida a sério faz-se de coisas simples, banais mesmo. É o conjunto delas que decide quem somos e o que fizemos ao longo do tempo. Sem que nos demos conta disso.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
A América é só de alguns...
quinta-feira, 20 de junho de 2019
Cinema ao ar livre
Ontem à noite fui ao cinema. Ao ar livre. Num espaço desenhado a pensar numa esplanada, mas que pode ser adaptado a muitas outras coisas. Palestras, exposições, desfiles por exemplo. Ou então à projecção de filmes.
E é aqui que entra a diferença do traço transformado em arquitectura. Da célebre escola do Porto. De Eduardo Souto de Moura, neste caso.
Fazendo de um quintal de uma casa um sítio lindo de estar, de ver, de namorar, de pensar.
E de assistir na tela à Natalie Portman a vergar-se em respeitosa homenagem ao escritor israelita Amos Oz.
Num filme de grande intensidade dramática. Envolvido pelas linhas de um traço só de Souto Moura. Soberbo. Tudo.
De tal forma que ao olhar-me na tela houve em mim um arremedo que só pode ser cómico de uma epifania: a de só agora estar preparado em termos de vida para ser escritor.
Demasiado tarde. Muito tarde. Mas não para ir à discoteca ver dançar a noite toda outra vez no éter do cinema. Pensei eu ao mesmo tempo que me dirigia rua acima ao sítio onde as mulheres dançam.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Médica bonita
Eu sei que por muitos sou abominado pela importância que dou à beleza, mas é mais forte do que eu. Se se comparar o sentimento estético que me suscita um jardim, uma montanha, um automóvel, uma escultura, uma igreja, com aquela outra realidade que é uma mulher nas ruas de Florença, escusado será dizer que prefiro o ser que desfila determinado, com um vestido de uma cor que depressa se extingue na memória, na cidade que é cinema vivo.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
A sociedade portuguesa actual e a da idade média
terça-feira, 4 de junho de 2019
Agustina Bessa-Luís (II)
Agora que Agustina está a regressar às origens, não posso deixar de contar uma história que ela partilhou entre amigos (pode ser que esclareça alguma coisa da sua personalidade).
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Agustina Bessa-Luís (I)
Era uma mulher sem tempo, corajosa, frontal, sempre com a ironia pronta a desferir o golpe fatal na soberba dos outros. Grande, muito grande mulher e escritora. Capaz de publicar um anúncio no Primeiro de Janeiro para arranjar marido. Ou de escolher a direita para dela fazer bandeira política numa época em que era obrigatório ser de esquerda. E depois a escrita. Pensada palavra por palavra até ser pesada, acariciada, ouvida a tarde inteira na casa da família em Massarelos.
quinta-feira, 23 de maio de 2019
Os pavões e os motoristas de S. Bento
terça-feira, 21 de maio de 2019
Gato parlamentar
Nos jardins da Assembleia da República vivem vários gatos. Sete, mais exactamente, tantos quantos os quartos destinados para eles no hotel gatídeo construído no espaço relvado do Palácio de São Bento. Toda a gente que ali trabalha ou representa o esforçado povo português gosta dos bichos. Todos menos o Carlos Abreu Amorim.
Na imagem a minha grande amiga Maria Júlia acaricia o pelo do animal mostrando aquilo que seria capaz de fazer ao fotógrafo.
sábado, 18 de maio de 2019
Benfica contra o Porto
“Às vezes não sei que pensar: eu sozinha aqui e o mundo lá fora a rir e a divertir-se. E tudo por causa do Benfica. O Artur nas bancadas junto aos amigos e a esposa largada ao tédio de um Sábado à tarde na casa de sempre. O jogador a avançar decidido para o golo, a assistência a aplaudir em êxtase, a cor encarnada a cobrir de glória o estádio. Bem me dizia a minha mãe: ‘Filha, não queiras um homem que ande atrás da bola o tempo todo — é vulgar e não te vai dar nunca uma casa fora do Montijo.’ O malandro do Artur enganou-me bem: não apreciava futebol, não tinha clube e depois foi o que se viu. E ainda por cima o Benfica. Se ainda fosse do Sporting, uns senhores aperaltados, com bons empregos, ainda se suportava.
segunda-feira, 6 de maio de 2019
O professor
quarta-feira, 1 de maio de 2019
1º de Maio
terça-feira, 30 de abril de 2019
Desalmadamente Lena D'Água
Meu Deus, Nosso Senhor: não se faz uma coisa destas — a passagem do tempo deveria acontecer apenas com aqueles que têm pressa de se irem embora e não com aqueles que querem ficar. Que gostam do sol logo pela manhã e da voz da multidão a caminho do trabalho.
Permanecendo, se possível, eternamente bonitos; ou então jovens; ou então saudáveis, o que vem a dar mais ou menos no mesmo.
Mas o tempo é um carrasco difícil de moldar — faz estragos, mata devagarinho.
Já escrevi diversas vezes sobre o tempo (e também acerca do que permanece para além da mudança).
Hoje vi fotografias antigas e outras actuais de uma das mulheres-sonho da minha juventude: a Lena D’Água.
A cantora de Sempre que o Amor me Quiser era absolutamente linda. Filha de um pai e de uma mãe também eles belíssimos, a Lena não precisava de maquilhagem ou de roupas muito elaboradas. Ela era naturalmente desejo dos homens e de algumas mulheres.
Infelizmente, tal como a muitos de nós, a vida foi-lhe madrasta. Por culpa dela e dos outros.
Do tempo que percorreu na noite e na vertigem de si própria ficaram-lhe as marcas. Na carreira, no pensamento e no corpo. Do rosto luminoso e das pernas de boneca já pouco resta. Nos olhos e no riso, talvez. No resto, a Lena D’Água de hoje mais não é do que a longínqua imagem de uma cantora portuguesa de muito sucesso dos anos oitenta.
A menos que consiga recomeçar. Como se fosse do zero. Esquecendo o bom e o mau de tudo o que ficou para trás, de forma a não ter de penosamente comparar-se com o que já foi.
A oportunidade está aí: trinta anos depois vai editar um novo álbum com o nome Desalmadamente. Quando o ouvirmos vamos imaginá-lo cantado por alguém que não se distingue pelas pernas ou pela beleza do rosto, mas antes pelo percurso e pela consciência que só uma vida cheia permite.
No dia 10 de Maio, quando desalmadamente for divulgado o disco, eu vou amar outra vez a Lena D’Água.
terça-feira, 23 de abril de 2019
Tarde em Moledo
A cena presenciei-a mesmo a meu lado no Domingo passado. Eu e a Cuca finalmente esparramados ao sol, ninguém a aborrecer-nos. Ao fundo a vista linda de Moledo, a areia solidária a querer-nos felizes, o Forte no meio do mar a tomar conta de nós, o monte de Santa Tecla a mostrar-nos o caminho em direcção ao divino. Como se ele não estivesse ao nosso lados nas migalhas de rocha em que nos deitamos, e em tudo o resto a que chamamos natureza e que os homens ainda não souberam como estragar.
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Quando a coerência é um mal
Não fui eu o autor deste sublinhado fotográfico — esse bom gosto deve-se à Diana Duarte, jornalista da SIC.
Mas gosto muito do que na página do livro está escrito. Não há nada mais aborrecido que alguém de uma só cara. Que é constante no vestir e no dizer. E na escrita. E no gosto pelas mulheres louras; ou então, sendo do género feminino, preferindo os homens das contas certas.
Eu não sou assim. Hoje sou o homem do comboio, amanhã sou escritor por publicar. Isto de manhã e à tarde, porque à noite sou milionário que o deixei de ser por causa da guerra civil no Ruanda.
A vida é cinema e os chatos são porteiros e vendem os bilhetes do espectáculo. Que, por sinal, nunca terá um fim.
sábado, 13 de abril de 2019
Mulher para as caminhadas
Seis indivíduos de bata branca, estetoscópio ao pescoço, proferiram o veredicto: “Tem de andar meia hora por dia”. Era a quinquagésima sétima vez que o diziam, sem nunca eu ter conseguido cumprir a malfadada sentença. As ruas sempre as mesmas, o suor a querer desaguar nos olhos, a figura de parvo a tomar conta de mim.
sexta-feira, 29 de março de 2019
Tontos
Tontos. Não perceberam nada. Os professores a julgarem-se importantes na sociedade e no PS. Não sabem que o mundo mudou. Só conta quem produz lucro. Por isso é que a Maria de Lurdes Rodrigues fez com que eles passassem a ganhar menos, a seguir Passos Coelho ainda baixou mais o ordenado e ameaçou que os cortes seriam permanentes. E os professores a pensarem que deveriam fazer o sacrifício pelo país. Que totós. Ao actual governo bastou fazer de conta que iriam recuperar aquilo que as suas carreiras determinavam. Ao mesmo tempo que lhes entregava metade do vencimento que por lei deveriam estar a receber. Adeus, mestres-escola. A paixão pela educação só é possível em países ricos.
Foto Observador
Vá lá, organizem-se...
Há ministros que são pai e filha, marido e mulher, amigos e amigas do primeiro de todos, eu não nomeei nenhum deles, quem o fez o foi o presidente da marquise, o mesmo que é vizinho dos gestores do BPN, eu é que não andei a passar férias no sítio do Ricardo Espírito Santo, nem a minha Maria trabalhou na administração do BES, o que é que este está para aí a dizer?
— Order!
quarta-feira, 13 de março de 2019
Partida de ténis
terça-feira, 12 de março de 2019
Fernando Poeta
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Director do museu
O Museu de Serralves está salvo! Já foi escolhido o novo director da instituição: Kléber Cullmann, crítico de arte alemão, reconhecido em todo o mundo pela sua experiência em indústrias culturais de cariz forchhammer. Na foto, o novo director (à direita) já na cidade do Porto, acompanhado do assistente pessoal Rolf Forchhammer.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
Esclarecimento
Uma brincadeira em vídeo produzida por uma rede social sobre os amigos da minha vida acabou por me trazer dissabores. Muitos (muitas) queixaram-se de no vídeo em questão só aparecerem mulheres e todas elas bonitas. Importa saberem duas coisas: só tenho amigos mulheres (com raríssimas excepções, geralmente relacionadas com a minha infância); todas as minhas amigas são bonitas.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Pedido de casamento
O dia era sério: a resposta tinha de ser dada ao Daniel, um rapaz que segundo diziam sempre gostara de si. A Conceição olhava para ele e sentia desdém pelo que via, um tipo esquálido, quase grotesco, desajeitado na fala e no comportamento de homem novo.
— Queres casar comigo? — a pergunta sempre adiada até àquele maldito dia.
— Se tu tiveres vontade nisso — disse a Conceição numa voz apagada pela vontade nenhuma.
— Pois então vou falar com o Padre Maurício e marcar o casamento. Que contente vai ficar a minha mãe. Queres apostar como ela vai pôr uma vela à Senhora d’Aparecida?
A Conceição sem saber o que dizer a seguir. Tão decidida e agora tonta sem querer pensar em nada.
As mãos do Daniel a quererem cumprir o namoro. O rosto da mulher que tanto amava logo ali à distância de um palmo de coragem. Foi então que os dedos tocarem aquela pele quente de mulher. Nunca tinha sentido uma coisa assim.
— Vou p’ra dentro que estou com frio — a Conceição a esgueirar-se pelas escadas acima em direcção a casa.
— Amanhã digo alguma coisa — ele afoito a comportar-se decidido.
Já a prometida não o ouvia. A barriga cheia pelo bebé do patrão casado dava sinal de querer descanso. A barriga e a cabeça sempre a pensar o mesmo.
Ainda um dia vão ser felizes, a Conceição mais o Daniel.
domingo, 27 de janeiro de 2019
Nunca mais é sábado
Amanhã é Segunda-feira. Lamento. Eu sei que queres sol e vida, música e dança. E amor. Mas a Segunda-feira não te impede de ser feliz. Sim, há horários para cumprir, contas a resolver, vestuário próprio para usar. E depois o pensamento de sempre: nunca mais é Sábado. Levanta a cabeça e sorri. Convence-te que o mundo lá fora sustém a respiração à espera de te ver. Vais conseguir. Desde que penses assim. O sol, a música e a dança ficam para quando quiseres: ao fim da tarde na esplanada, à noite no remanso do sítio que escolheres.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
A propósito da Dra. Maria José Rodrigues
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
O discurso
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
A imprensa regional e o aniversário do jornal O Vianense
Quadratura do Círculo
Isso, espetem o último prego no caixão. A televisão já estava moribunda... não é SIC? Agora é chamar a Servilusa e vermos só séries em streaming. Política e coisas sérias? Ninguém as quer ver, o Balsemão, o Costa e o Oliveira do que dizem os teus olhos é que sabem disto. Quadratura do Círculo... que é isso? É aquele programa que dá no intervalo dos debates sobre futebol? O que é que está p’ra aí a dizer, caro telespectador? Que a Quadratura é o melhor programa político da televisão portuguesa? Estes telespectadores estão cada vez mais néscios. Nem os amigos do Balsemão autorizam nem o público do Marcelo quer: a televisão actual é a da Cristina, do Carro do Amor e do Playback Total. Isso e muito futebol. Não gostam? Vão para o Facebook. Nós por cá ficamos bem. Nós e os partidos marginais a tudo isto. Até ao estouro final, dizem os consumidores da antiga televisão interclassista e honesta.





























